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"Lixão da moda": o 'deserto' de roupas do Atacama

Entenda como surgiu um verdadeiro lixão de roupas no meio do deserto chileno

Redação Publicado em 09/01/2022, às 08h00 - Atualizado às 09h00

Lixão da moda, no deserto do Atacama
Lixão da moda, no deserto do Atacama - Divulgação / vídeo / Youtube / Euronews

Um enorme lixão clandestino pode ser visto atualmente no deserto do Atacama, mais especificamente na região do Alto Hospicio, o que tem preocupado ambientalistas.

O local abriga pilhas de roupas usadas vindas dos Estados Unidos, além de países da Europa e da Ásia, que entram pelo porto de Iquique, a 1.800 quilômetros de Santiago.

As peças descartadas são feitas, em sua maioria, na China ou em Bangladesh e compradas, em grandes cidades como Berlim ou Los Angeles.

Quando as pessoas que adquiriram tais produtos decidem que é hora de se desfazer deles, os itens são enviados ao Chile, que tem um consolidado comércio de roupas usadas.

De acordo com uma matéria do G1, o país começou a importar peças há quatro décadas e se destaca como o maior importador do ramo na América Latina.

“Essas roupas vêm de todas as partes do mundo”, disse Alex Carreño, ex-funcionário da zona de importação do porto de Iquique.

Mulher caminha à frente de uma vitrine de loja em Berlim / Crédito: Getty Images

 

Roupas que se acumulam

Carreño explica que diversos comerciantes vão até o local e selecionam os melhores produtos para suas lojas, deixando muitas peças para trás. As roupas não escolhidas, porém, não podem deixar a alfândega. 

“O que não foi vendido para Santiago ou foi para outros países (como Bolívia, Peru e Paraguai para contrabando), fica aqui, porque é uma zona franca”, afirmou Carreño.

"O problema é que a roupa não é biodegradável e contém produtos químicos, por isso não é aceita nos aterros municipais", explicou Franklin Zepeda, fundador da empresa EcoFibra, que utiliza as roupas descartadas para produzir painéis isolantes.

O problema do fast fashion

Conforme informou o portal de notícias, a grande quantidade de roupas descartadas no "lixão da moda" se dá em razão da rápida e insustentável produção por parte das redes de fast fashion.

Pilhas de roupas ao lado de pneus no deserto do Atacama / Crédito: Divulgação / vídeo / Youtube / Euronews

 

São marcas que lançam inúmeras coleções por ano, com preços atrativos, porém com peças de qualidade inferior, de modo que necessitam ser descartadas em pouco tempo.

Um estudo da ONU realizado em 2019 indicou que a produção de roupas no mundo dobrou entre os anos de 2000 e 2014 e apontou a indústria como “responsável por 20% do total de desperdício de água globalmente”.

Segundo o documento, para a produção de apenas uma calça jeans são necessários 7.500 litros de água, sendo que a fabricação de roupas e calçados é responsável por 8% dos gases de efeito estufa liberados. Além disso, o relatório constatou que “a cada segundo é enterrada ou queimada uma quantidade de tecidos equivalente a um caminhão de lixo."

Outros problemas que envolvem as redes de fast fashion são de caráter social. Não são raras as denúncias uso de mão-de-obra infantil ou mesmo casos de trabalhadores mal pagos por empresas do ramo.

Afinal, o que torna as roupas vendidas por essas empresas mais baratas, além de materiais de menor qualidade, é a utilização de mão de obra barata.


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