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Entre o Céu, a Lua, o Sol e a Terra: 5 curiosos mitos africanos

Com múltiplas crenças e religiões, cada povo tem sua concepção da criação do universo. Algumas falam da morte, outras narram o amor e muitas refletem a sabedoria dos animais

Pamela Malva Publicado em 12/07/2020, às 13h00

Ilustração do mito da criação iorubá
Ilustração do mito da criação iorubá - Divulgação/Youtube

1. Terra colorida

Para os chiluques do Nilo Branco, o deus criador de tudo era Juok e, de forma semelhante ao Antigo Testamento católico, ele criou os humanos a partir do barro. Um mito específico do povo africano, no entanto, vai além do primeiro homem e da primeira mulher, e explica as diferentes tonalidades de pele presentes na Terra.

Segundo a tradição, Juok teria usado o barro de diferentes territórios e regiões para moldar os humanos. Assim, onde a terra apresentava um tom mais claro ou uma areia branca, os homens brancos nasceram. Os chiluques do Nilo Branco, na região da África Oriental, por sua vez, foram feitos a partir de uma terra preta.

2. Morte suprema

Imagem meramente ilustrativa de membros do povo massai / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo a mitologia massai, um homem chamado Kintu vivia sozinho no mundo criado por Ngai. Solitário, o humano se apaixonou pela filha do Céu, que teve o mesmo sentimento pelo homem. A jovem, então, pediu que seu pai, Ngai, autorizasse o casamento. Kintu foi até o Céu, onde passou pelas provas criadas pelo deus supremo.

Assim, a filha do Céu pôde descer à Terra ao lado de seu amado, levando animais e plantas como dote. Ao esquecer alguns grãos, no entanto, Kintu teve que retornar aos céus e, lá em cima, encontrou-se com a Morte, outra filha de Ngai. Irritada pela quebra do acordo que proibia a volta o humano, ela desceu ao planeta mundano junto com ele.

Uma vez em terra firme, a Morte instalou-se em uma casa e prometeu matar todos os filhos que nascessem do casamento entre Kintu e a filha do Céu. Nenhuma armadilha foi capaz de deter a Morte que, cumprindo sua promessa, ficaria na Terra para sempre, dando início à soberania da morte.

3. A serpente cósmica

Ilustrações do conto da serpente Aido-Hwedo / Crédito: DIvulgação/Youtube

 

Em Daomé, o mito da criação conta com uma dupla inusitada: a serpente eterna, Aido-Hwedo, e sua esposa, Mawu, a criadora de tudo que existe. Juntas, as entidades perambulavam pelo universo e, no início de tudo, formaram a Terra. Rastejando sobre o planeta, a serpente criou o contorno dos continentes, os vales e os rios.

Ao fim da criação, entretanto, Mawu percebeu que, com tantos metais, humanos, plantas e animais, o mundo poderia afundar na eternidade. Como solução, a deusa criadora pediu que seu esposo segurasse a Terra com o próprio corpo. Dessa forma, até hoje, somos sustentados por uma enorme serpente.

Enrolada em nosso planeta, é a cobra celestial que cria os arco-íris quando se arrasta e os terremotos quando se mexe. Reza a lenda que, em um futuro distante, quando o deus-cobra morder seu próprio rabo, o mundo deverá afundar na eternidade, dando início ao fim dos tempos.

4. De boa qualidade

Muito parecida com o conto dos chiluques, a mitologia das tribos que falam o idioma ewe também narra que os humanos foram criados a partir do barro. Para os povos do Togo, Gana e Benim, no entanto, sua mitologia ainda explica como existem pessoas boas e ruins no mundo.

Segundo a tradição, uma grande quantidade de terra usada para moldar os humanos era de má qualidade. Assim, aqueles feitos com terra boa são, necessariamente, pessoas boas; enquanto aqueles criados com terra ruim, são homens e mulheres maus.

5. A aranha estrategista

Ilustração de Nyame, o deus criador / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Para o povo ashanti, de Gana, o deus criador era Nyame. No ínicio de tudo, ele era o detentor de todas as histórias. Dessa forma, aqui na Terra, os humanos não possuiam quaisquer contos ou mitos. Frustrado com a situação, Kwaku Ananse, o homem-aranha, então, teceu uma enorme teia de prata e subiu aos céus, para falar com Nyame.

Uma vez na presença da entidade, o homem pediu que ela lhe entregasse algumas histórias. Supremo, Nyame exigiu um preço pelos mitos: uma cobra traçoeira, um leopardo selvagem e um punhado de vespas crueis. De volta à Terra, Kwaku Ananse usou de sua inteligência para enganar cada um dos seres e os entregou ao deus criador.

Assim, o homem retornou ao seu povo com um baú cheio de histórias em mãos. Detentor de todos os mitos daquele dia em diante, Kwaku Ananse abriu o caixote e permitiu que os contos se espalhassem pelos quatro cantos da Terra. Com isso, o mundo se encheu de histórias e tradições, todas conquistadas pela astúcia do homem-aranha.


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