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Envenenamento e bruxaria: os escândalos da corte do Rei Sol

Tanto o monarca quanto a nobreza ficaram extremamente preocupados de serem assassinados, por isso foi instaurado uma investigação insólita

Gabriel Fagundes Publicado em 31/03/2020, às 16h00

Retrato do rei Luís XIV
Retrato do rei Luís XIV - Wikimedia Commons

Luís XIV ou o Grande e Rei Sol, foi o Rei da França e Navarra durante 1643 até a sua morte. Seu reinado acabou durando 72 anos, sendo por isso considerado o mais longo de toda História da Europa e também da Humanidade; nenhum outro monarca ocupou um trono por tanto tempo.

Contudo, é evidente que a longa duração acabou acarretando em algumas polêmicas ao decorrer do período, e dentre essas polêmicas situa-se a dos venenos (L'affaire des poisons), que foi  grande um caso de assassinato ocorrido entre os anos de 1677 e 1682.

Luís XIV da França / Crédito: Wikimedia Commons


Várias pessoas notórias da aristocracia acabaram tendo a participação no evento, assim foram condenadas por acusações de envenenamento e bruxaria. Esse acontecimento ganhou tamanha proporção que chegou até Luís XIV.

O início da polêmica

Data-se de 1675 o momento em que se descobriu a conspiração de Madame de Brinvilliers, com seu amante, o capitão do exército Godin de Sainte-Croix, para envenenar seu pai. O objetivo da mulher era ficar com a herança da família. Porém, logo em seguida do seu julgamento — que culminou em decapitação e o corpo queimado na fogueira —, várias pessoas acabaram morrendo por envenenamento em Paris, o que originou uma verdadeiro caça as bruxas.

Desenho da figura de Marie-Madeleine de Brinvilliers por Charles Lebrun, 1676 / Crédito: Wikimedia Commons


Temerários, tanto o rei quanto a nobreza ficaram receosos de poderem ser assassinados, o que gerou uma grande tensão na corte. Passado esse episódio, dois anos depois, em 1677 uma senhora chamada Magdelaine de La Grange foi presa acusada de falsificação e assassinato. Ela, para auxiliar em sua defesa, foi até o Marquês de Louvois para contar os nomes de pessoas que morreram por envenenamento que frequentavam a corte.

Logo em seguida a conversa de ambos, Luís XIV ordenou que o chefe da polícia de Paris, Gabriel Nicolas de la Reynie, investigasse quais eram os membros que estavam envolvidos nos casos em questão.

Consequências

Várias pessoas foram consideradas suspeitas, cartomantes e alquimistas foram os principais. Isso porque eles trabalhavam na criação e venda de porções, além da prática de necromancia.

Denunciados de bruxaria e alquimia muitos foram presos, torturados e até ameaçados de morte. E para não serem pegos, vários deles delataram os nomes de pessoas que adquiriram os tais venenos para matar os opositores na corte.

Madame de Montespan / Crédito: Wikimedia Commons


Dentre essas pessoas que resolveram falar situa-se La Voisin, uma parteira que realizava abortos e vendia bebidas tóxicas. Ela acabou sendo presa em 1679, mas acabou incriminando nomes famosos da corte, como a Madame Montespan. De acordo com a parteira, Montespan havia comprado várias porções afrodisíacas para garantir o amor do rei e provocar discórdia entre as amantes rivais, além de ter consultado as cartas para prever o futuro e ter feito parte de Missas Negras, que envolveriam ] sacrifícios de crianças e práticas de feitiçaria. 

Conclusão

Contudo, ao verificarem o caso, historiadores não encontraram nenhuma evidência de que Montespan estivesse envolvida nas acusações feitas. Em função disso, a explicação para essas denúncias foram as intrigas e disputas que dominavam na corte.

No ano de 1682 foi decretado o fim desse episódio em função das inúmeras queixas sofridas por Madame Montespan. Luís XIV também não queria que seu nome acabasse implicado, porque prejudicaria a sua imagem. Dessa forma, foi ordenado que todas as acusações contra a mulher fossem arquivadas e que o seu nome não fosse mais citado em nenhum documento. Ao todo, essa investigação resultou em 442 suspeitos e 218 prisões, dos quais 36 pessoas foram executadas.


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