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Eva Wilma participou de protesto histórico contra censura na ditadura militar

A grande atriz, que faleceu na noite do sábado (15), relembrou o importante episódio durante entrevista no ano de 2018

Redação Publicado em 16/05/2021, às 00h45 - Atualizado às 01h00

Eva Wilma durante um de seus trabalhos na TV
Eva Wilma durante um de seus trabalhos na TV - Divulgação/Rede Globo

Na noite do último sábado, 15, o Brasil recebeu a triste notícia da morte da grande atriz Eva Wilma. Internada no Albert Einstein, em São Paulo, desde abril, Wilma recebeu o diagnostico de câncer de ovário.

"Comunicamos que a atriz Eva Wilma, acaba de falecer às 22h08, no Hospital Israelita Einstein, em São Paulo, em função de um câncer de ovário disseminado, levando a insuficiência respiratória", disse a equipe em comunicado oficial.

 
 
 
 
 
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Com o talento indiscutível apresentado em grandes novelas brasileiras, como A Viagem, Guerra dos Sexos, Sassaricando, Anos Rebeldes e O Rei do Gado, foi o amor pela atuação que cravou a atriz em um dos momentos mais marcantes da história brasileira: uma greve contra a censura durante a ditadura militar brasileira.

'Uma experiência muito interessante'

O episódio ocorreu em 1968. O momento exato em que eternizou Wilma, num período marcado pela censura, ela apareceu de mãos dadas com Eva Todor, Tônia Carrero, Leila Diniz, Odete Lara, Cacilda Becker e Norma Bengell. O cordão que caminhava junto a multidão protestava no Centro do Rio de Janeiro contra a ditadura instaurada em 1964.

Wilma relembrou o episódio no ano de 2018, ao lamentar a morte de Tônia Carrero no extinto Vídeo Show, da Rede Globo. A atriz explicou que o momento foi marcado pela paralização de todos os teatros localizados em São Paulo.

“Nós tivemos uma experiência muito interessante que às vezes o público desconhece. É uma foto famosa, emblemática, de um momento difícil para a cultura no país. Era uma mobilização contra a censura e pela cultura. Os teatros todos de São Paulo pararam, uma greve. A mobilização foi combinada de ser feita nos teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Três dias e três noites ininterruptos. A gente se revezava”, disse Eva na época.

Durante a participação no programa, Wilma também explicou que o episódio da greve resultou na presença das atrizes na passeata, em frente à multidão. 

“E o encerramento desses três dias e três noites comandados por pessoas tão brilhantes como Dias Gomes como Flávio Rangel...Eles combinaram que nós atrizes iríamos puxando todo mundo de mãos dadas na frente. E lá fomos nós, uma fila muito bonita de atrizes de mãos dadas”, explicou a artista.