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Exposições humilhantes: 5 fatos sobre zoológicos humanos

Ao longo dos séculos 19 e 20, muitas pessoas vindas de países africanos e asiáticos fizeram parte de apresentações desumanas

Isabela Barreiros Publicado em 23/06/2020, às 17h19

O jovem Ota Benga
O jovem Ota Benga - Domínio Público

1. Superioridade racial

Principalmente durante os séculos 19 e 20, pessoas não-brancas foram exaustivamente colocadas em situações humilhantes apenas para divertir os que pagassem por isso. Os zoológicos humanos foram uma realidade explícita do racismo, mantendo “nativos primitivos” em espaços para que os povos europeus pudessem observar as diferenças culturais e zombar deles.

Indivíduos negros, vindos quase sempre de países africanos, assim como asiáticos, eram os protagonistas forçados de apresentações desumanas organizadas em todo o ocidente. Esses eventos eram responsáveis por reforçar ainda mais o falso estigma de superioridade da raça, muito difundido na Segunda Guerra, além de enfatizar ainda mais a diferença cultural entre eles.


2. O jovem Ota Benga

Ota Benga (segundo da esq.), um congolês 'exibido' no Zoológico do Bronx de Nova York em 1906 / Crédito: Domínio Público

 

No zoológico do Bronx de Nova York, em 1906, o jovem Ota Benga, do povo Mbuti, que vivia nas florestas próximas ao rio Kasai, no antigo Estado Livre do Congo, era exposto diariamente para mais de 40 mil pessoas. Ele era chocantemente descrito como um "elo perdido da evolução”.

Colocado em uma jaula com macacos, o jovem geralmente era apresentado como se fosse um canibal. Era obrigado a interagir com orangotangos, o que reforçava a ideia de que era selvagem e tinha que mostrar seus dentes aos visitantes, visto que afiá-los era comum em sua cultura. Um grupo de pastores negros protestou contra as humilhações sofridas por Benga e ele foi libertado. Anos depois, tirou sua própria vida.


3. Theodor Wonja

Quando chegou à Europa ao final do século 19, o pai de Theodor Wonja percebeu que não seria nem um pouco fácil conseguir um emprego comum. Ele soube que havia vagas para participar de exposições etnológicas, e inscreveu, juntamente com seus filhos. A realidade era completamente humilhante e exaustiva.

A mãe dos jovens, que era uma branca alemã, morreu pouco depois, e os quatro irmãos se tornaram simplesmente propriedade dos donos do zoológico humano. Tempos depois, Wonja participou de alguns filmes mudos como figurante, representando um “típico africano”, até que foi enviado para um campo de trabalho forçado em 1943, sendo libertado apenas em 1945. Com o fim da guerra, estudou ciência política e economia em Paris.


4. Na Europa

Isso não acontecia apenas nos Estados Unidos. A Europa, berço do pensamento colonial, também exibia povos indígenas em zoológicos humanos muito parecidos. Isso aconteceu em países como França, Noruega, Bélgica, Alemanha, Espanha e Itália.

A Noruega, por exemplo, exibiu, por cinco meses, em 1914, 80 pessoas vindas do Senegal e mais da metade da população do país visitou a exposição em Oslo. Em Paris, mais de 18 milhões de pessoas visitaram a Exposição Universal de 1889, que exibia um grupo de 400 indivíduos.


5. Atualmente

Embora se pense que essas práticas racistas tenham ficado nos séculos anteriores, a verdade é que isso já aconteceu no mundo contemporâneo. Em abril de 1994, por exemplo, uma vila da Costa do Marfim foi apresentada como parte de um safari Port-Saint-Père, perto de Nantes, na França.

Em 2007, em um episódio ainda mais recente, artistas pigmeus que participariam do Festival de Música Pan-Africana, o Fespam, foram alojados em um zoológico em Brazzaville, no Congo. Embora os membros do grupo de 20 pessoas — entre eles um bebê de três meses — não estivessem oficialmente em exibição, era necessário que eles “cortassem sua própria lenha para fazerem sua comida”, sendo filmados por turistas e transeuntes.


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