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A família que descobriu um banheiro de 2 mil anos ao reformar a casa

Em 2015, eles queriam apenas trocar o piso de sua residência quando descobriram uma misteriosa escada feita de pedra que levava para uma câmara muito antiga

Isabela Barreiros Publicado em 03/10/2020, às 06h00

A escada que leva para o banheiro de 2 mil anos em Jerusalém
A escada que leva para o banheiro de 2 mil anos em Jerusalém - Divulgação/IAA

Em julho de 2015, uma família decidiu realizar uma reforma em sua casa no bairro de Ein Kerem, em Jerusalém. A ideia era trocar o piso da sala de estar para um mais moderno, em uma profunda reestruturação do solo da residência. 

O que eles não esperavam era encontrar uma descoberta arqueológica excepcional. Ao tirarem o chão da sala, observaram uma escada muito misteriosa sob sua casa, que levava até um banheiro muito antigo. O local, insculpido em pedra, também é conhecido como micvê, onde ocorre uma espécie de ritual em imersão em água, recorrente no judaísmo.

No entanto, a família demorou um pouco para chamar as autoridades responsáveis pela arqueologia da região. Eles simplesmente cobriram a entrada para a escada com pedaços de madeira, vivendo como sempre por cima dela. Isso aconteceu devido ao receio de terem encontrado algo muito significante.

Algum tempo depois, a consciência voltou para os moradores da casa, que, enfim, convocaram a entidade governamental da Autoridade de Antiguidades de Israel, para que arqueólogos e especialistas no assunto em questão pudessem desvendar do que se tratava aquilo que foi encontrado no subsolo.

A descoberta

Quando os pesquisadores começaram a analisar o local, não puderam definir de primeira quantos anos o banheiro possuía de fato. A escadaria era feita de pedra esculpida e dava para um cômodo de 3,5 metros de comprimento e 2,4 metros de largura, com profundidade de 1,8 metros. A câmara antiga era utilizada para rituais judaicos. 

"Tais casos de encontrar antiguidades sob uma casa particular podem acontecer apenas em Israel", afirmou o arqueólogo do distrito de Jerusalém, Amit Re'em. "A descoberta do banho ritual reforça a hipótese de que havia um assentamento judaico da época do Segundo Templo localizado na região do que é hoje 'Ein Kerem’”, explicou.

O pesquisador faz referência aos registros que foram observados no Novo Testamento à “Cidade da Judeia”. Acredita-se que esse local tenha sido na região onde hoje é o vilarejo de Ein Karem, onde é possível que João Batista tenha nascido. No entanto, durante um longo período de investigações, poucas evidências desse tempo histórico foram encontradas no bairro. 

Os arqueólogos também tentaram identificar o período em que o micvê foi construído, mas apenas a estrutura em si não era o suficiente para determinar. Eles, porém, descobriram um vaso de cerâmica dentro do banheiro, que possibilitou essa datação. 

A câmara do banheiro de 2 mil anos / Crédito: Divulgação

 

A partir disso, afirmaram que o local descoberto provavelmente possui 2 mil anos de existência, datando do período histórico do Segundo Templo, considerado como o primeiro primeiro século da Era Cristã. Além disso, é possível que a destruição do local onde está o banheiro aconteceu após a Revolta Judaica, entre 66 e 70 d.C.

Essa não foi a primeira descoberta arqueológica importante encontrada no vilarejo de Ein Kerem, em Jerusalém, nos últimos anos. Pesquisadores da Autoridade de Antiguidades de Israel já relataram achados muito relevantes devido a um constante trabalho de escavações que está sendo realizado na região.

Já foram encontrados um complexo sistema de água, que data do mesmo período do banheiro descoberto em 2015, e instalações agrícolas também muito antigas. Todas essas investigações revelaram mais sobre os segredos que o bairro guarda, especialmente por sua conexão com o judaísmo.


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