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Farsa ou show de horrores? A história da bizarra Sereia de Fiji

Supostamente encontrada por marinheiros no começo de 1800, a criatura chegou até P.T. Barnum, famoso por seus freak shows

Pamela Malva Publicado em 09/05/2020, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa de sereia
Imagem meramente ilustrativa de sereia - Divulgação/Pixabay

Durante quase todo o século 19, as pessoas eram profundamente atraídas por circos bizarros e shows mórbidos. Naquela época, quanto mais esquisita e singular fosse a atração, maior era o entretenimento do público.

Assim, mulheres barbadas, pessoas fisicamente alteradas e superhumanos eram os queridinhos do show business. Ainda que fossem tratados como aberrações pela sociedade, tais artistas arrecadavam valores exorbitantes todas as noites.

Exposta em uma caixa de vidro grosso, a Sereia de Fiji foi uma das atrações mais conhecidas na época. Junto de diversos outros indivíduos semelhantes, ela atraiu a atenção de cidades inteiras ao redor do mundo — verdadeira ou não.

A suposta Sereia de Fiji / Crédito: Wikimedia Commons

Marinheiros de sorte

Reza a lenda que, logo no início dos anos 1800, a curiosa sereia foi encontrada perto das Ilhas de Fiji, no Pacífico Sul. Intrigados, marinheiros japoneses deram nome ao ser capturado e trouxeram-na para terra firme.

Naquela época, comerciantes holandeses eram intimamente ligados ao mercado Japonês. Dessa forma, após algumas negociações amigáveis, a sereia foi comprada, em meados da década de 1810.

Por anos, o ser marítimo fez sucesso em terras holandesas até chamar atenção de Samuel Barrett Edes. Profundamente intrigado pela entidade mística, o capitão norte-americano arrematou a sereia por 6 mil dólares, em 1822.

Com um tórax semelhante ao dos humanos e uma cauda grossa, o indivíduo foi exibido em Londres naquele mesmo ano. A sereia foi divulgada em jornais, a fila da exposição estava sempre lotada e as opiniões sobre sua veracidade eram bastante divididas.

O começo de uma viagem

Em meados de 1840, Samuel Barrett Edes morreu e deixou seu bem mais precioso de herança para seu filho. Cansado da sereia, no entanto, o jovem vendeu o artefato para Moses Kimball, integrante do Museu de Boston.

Uma vez detentor da espécime, Moses imaginou que um amigo de Nova York saberia como proceder com a sereia. Assim, o famosos P. T. Barnum colocou os olhos no ser místico pela primeira vez, em 1842.

Profundo apreciador do oculto, Barnum passou a alugar a sereia de Moses e expô-la no Museu Americano de Barnum, em Nova York. Pagando US $ 12,50 por semana, ele passou a ganhar milhares de dólares.

Outra sereia de Moisés Kimball / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pelo mundo

Percebendo a fama da criatura e a forma como ela conquistava o olhar dos curiosos, Barnum decidiu criar uma publicidade mais agressiva. Assim, ele enviou cartas anônimas para diversos veículos jornalísticos, apresentando a sereia.

Nos textos, ele explicava que um explorador havia capturado a criatura durante uma de suas viagens na América do Sul. Sob o nome de Dr. J. Griffin, então, um empregado de Barnum passou a viajar com a sereia, alegando tê-la encontrado.

O sucesso da peça era inegável e Barnum pensava ter tirado a sorte grande. Após um incêndio no Museu Americano de Barnum, entretanto, a sereia desapareceu, em 1859. Seu paradeiro nunca mais foi encontrado e a memória ficou para as fotos e ilustrações.

Uma farsa desmascarada

O legado da suposta sereia se seguiu por anos, ainda mais quando outros espécimes parecidos apareceram. Especialistas, contudo, estavam determinados a desvendar a história por trás da criatura de Barnum.

Foi descoberto, então, que o ser místico, na verdade, era composto pelo tronco um macaco costurado à metade de um peixe. No caso da Sereia de Fiji, especialistas concluíram que o artefato era a junção de um orangotango com um salmão.

Segundo um artigo publicado pela revista Western Folklore na época, a sereia provavelmente foi criada por um pescador japonês, no início de 1800. Essa seria uma tradição asiática que, desconhecida pelo Ocidente, enganou desavisados e ainda garantiu um mundo de fama para aqueles que decidiram expô-la.


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