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Fé e maldição: a bizarra lenda do sino da ilha de Harry Potter

Roubado em meados de 2019, o artefato medieval tem uma grande importância religiosa e guarda mistérios nunca solucionados

Pamela Malva Publicado em 20/03/2021, às 08h00 - Atualizado às 10h03

Cena de Harry Potter e o Cálice de Fogo em que a Ilha de St. Finan aparece
Cena de Harry Potter e o Cálice de Fogo em que a Ilha de St. Finan aparece - Divulgação/Warner Bros

Em meados de 2005, o mágico elenco da franquia de Harry Potter foi levado até a remota ilha escocesa de St. Finan. Localizada no curioso Lago Shiel, a área faz parte das Terras Altas da Escócia e serviu de palco para o tradicional e misterioso Torneio Tribruxo.

Para os apaixonados pelos filmes estrelados por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, o lago Shiel, que banha a região, ficou conhecido como Lago Negro. É nele que Harry Potter mergulha após comer uma porção de guelricho para respirar sob a água.

Acontece que, muito além da bruxaria envolvida no filme, a ilha de St. Finan tem sua própria maldição, temida na vida real. Distante das varinhas e das horcruxes, contudo, o objeto amaldiçoado da ilha eescocesa é um sino de mil anos que foi instalado na região.

Construção da ilha de St. Finan onde ficava o sino medieval / Crédito: DIvulgação/Moidart History Group, 

 

Religião e mitologia

Na Idade Média, os sinos eram importantes artefatos usados para diversas finalidades. Além de servirem como uma espécie de relógio para os camponeses, as batidas ainda indicavam o início das missas e, em contextos míticos, podiam afastar demônios.

Com o passar dos anos, então, o sino medieval da ilha de St. Finan começou a protagonizar diversas histórias e fábulas. Com mais de mil anos, o objeto faz parte da Capela de San Finan, a primeira da Escócia dedicada ao santo que homenageia.

Falecido em 661 d.C., San Finan é uma importante figura católica e, muito por isso, a ilha que abriga a capela serviu como um cemitério de chefes escoceses e passou a receber diversos religiosos, que peregrinam durante o ano — isso sem contar os muitos fãs de Harry Potter que vão até o lugar para visitar um dos sets do filme.

Arqueólogos estudando o sino antes que fosse roubado pela segunda vez / Crédito: DIvulgação/Moidart History Group, 

 

Lendas e maldições

Considerado um dos pontos centrais da ilha de St. Finan, portanto, o sino tornou-se um artefato religioso e, de certa forma, folclórico. Lendas locais afirmam, inclusive, que ele é cercado por uma maldição que visa proteger sua integridade há mais de 200 anos.

Segundo a crença escocesa, qualquer pessoa que ouse roubar o sino da capela deverá enfrentar um terrível castigo celestial. O problema é que, de acordo com a Moidart History Group, o sino já foi roubado duas vezes, apesar da obscura maldição.

Nesse sentido, conforme afirma a organização esponsável por cuidar de várias relíquias do Reino Unido, o artefato medieval foi furtado pela primeira vez durante uma revolta, em meados de 1745. Na ocasião, contudo, algo curioso aconteceu.

Fotografia do sino supostamente amaldiçoado / Crédito: DIvulgação/Moidart History Group, 

 

Roubos e mistérios

Segundo narra a Moidart History Group, o roubo do sino quase passou despercebido, já que a relíquia foi saqueada durante o conflito. Ao final do levante, contudo, percebeu-se que o artefato havia sido subtraído da capela e, assim, iniciaram-se as buscas.

Mais tarde, ficou claro que, ao invés de devolver o sino que encontrou, um soldado britânico decidiu levá-lo para casa. Enfrentando a fúria dos moradores da região e a suposta maldição — para os locais, forças celestiais foram as responsáveis pela devolução do sino — o homem foi severamente castigado.

Daquele dia em diante, então, os escoceses tentaram encontrar formas de proteger o artefato histórico. Em 2017, por exemplo, o sino recebeu uma reforçada corrente de bronze, que prometia mantê-lo no lugar, além de afastar possíveis criminosos.

Ainda assim, em julho de 2019, nem mesmo as correntes ou a terrível maldição foram suficientes para espantar um novo ladrão, segundo a BBC. O sino, então, foi roubado pela segunda vez. O problema é que, depois do mais recente furto, o artefato nunca mais foi visto e, até hoje, o responsável pelo crime nunca foi identificado.


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