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Fogo grego da morte: conheça a arma secreta do Império Romano do Oriente

O impressionante fogo grego resultou na sobrevivência da civilização durante séculos

Redação AH Publicado em 18/07/2020, às 08h00

O equipamento em ação durante o Cerco de Constantinopla (717)
O equipamento em ação durante o Cerco de Constantinopla (717) - Divulgação/Thought Military History

Em 677, as tropas do califa Yazid comemoravam quatro anos às portas de Constantinopla. Repetidas vezes, os invasores tentavam quebrar as defesas da cidade e, frustrados, atravessavam o Mar de Marmara para recuperarem as forças na cidade ocupada de Cízico, a 13 km da capital. Ainda que as muralhas resistissem, os árabes eram uma séria ameaça.

Os bizantinos (ou romanos, como chamavam a si próprios, ainda que falassem grego) resolveram tomar a iniciativa. Seus navios avançaram pelo mar para interceptar a frota árabe. Seus dromons eram galeras parecidas com as trirremes da antiguidade, mas sem a capacidade de destruir navios a trombadas. 

Normalmente, esses barcos portavam catapultas e arqueiros. Foi com alguma surpresa que os árabes os viram se aproximar cada vez mais, até poucos metros de distância. Então, surgiu um barulho infernal, como um trovão, e uma torrente de fogo saiu dos navios inimigos.

O líquido incendiário era pegajoso, impossível de tirar da madeira e das roupas. Jogar-se ao mar não adiantava, porque ele também queimava sobre a água. A frota islâmica foi aniquilada.

Assim estreou o fogo grego, um lança-chamas medieval que atingia alvos a 15 metros e cujas chamas não eram extintas por água. Era uma arma secreta: cada fase da produção do líquido e dos lança-chamas ocorria separadamente, de forma que ninguém conhecesse o processo inteiro.

Mesmo povos que conseguiram capturar navios intactos, com o combustível, não foram capazes de replicar a fórmula.

Historiadores acreditam que a base fosse petróleo, com resinas vegetais e gordura animal para tornar a mistura mais espessa, disparada de uma espécie de panela de pressão ligada a uma bomba.

Nunca replicado, o fogo grego garantiu a sobrevivência do Império Romano do Oriente por quase oito séculos, até ser confrontado com outra novidade ainda mais letal: os canhões do Império Otomano.