Curiosidades » França

Fome e agonia: a árdua saga dos combatentes de Napoleão Bonaparte

Como eram e como viviam os homens que seguiam o imperador por toda a Europa

Fabiano Onça Publicado em 01/04/2020, às 10h00

Napoleão na Batalha das Pirâmides, 1798
Napoleão na Batalha das Pirâmides, 1798 - Getty Images

Quem ia para a guerra com Napoleão ou com um de seus oficiais sofria. Porém os que venciam com eles ganhavam condecorações e até conseguiam ser promovidos. Por isso, o imperador tinha um exército que o adorava. Mesmo que no cotidiano no campo de batalha, como se pode imaginar, fosse duríssimo e cheio de privações.

Numa de suas tiradas, Napoleão disse: "Um exército marcha sobre seu estômago". A frase pode não ser muito romântica, mas é de uma praticidade desconcertante. Afinal, como alimentar 100 mil homens todos os dias? Como vesti-los? Como tratar os doentes e feridos? Como dar o mínimo de ordem a essa multidão?

O próprio Bonaparte tinha uma solução radical para o problema da fome. Ao contrário dos exércitos tradicionais, suas tropas levavam poucas carroças de suprimentos, ganhando rapidez e mobilidade. Os soldados, é claro, pagavam o pato e tinham que se virar, pilhando o território por onde quer que passassem.

Napoleão Bonaparte / Crédito: Wikimedia Commons

 

Jakob Walter, um soldado de infantaria alemão, recrutado em 1806 entre os homens do Reino de Württemburg, confirma, numa anotação em seu diário: "Marchamos durante meses por terras da Polônia e da Rússia. A fome grassava entre os soldados e logo começamos a roubar em todas as vilas pelas quais passávamos".

Um soldado da infantaria napoleônica carregava quase 30 kg de peso, entre munições, mantimentos, roupas e apetrechos. A marcha ainda era prejudicada pelos uniformes, geralmente desconfortáveis e com poucas opções de tamanho. As botas, após algumas semanas de uso, ficavam em péssimo estado. "Era comum o soldado caminhar até 50 km num único dia", aponta o historiador napoleônico Donald Howard, da Florida State University, nos EUA. "Eles andavam por quatro horas, descansavam e, então, voltavam ao percurso por mais quatro horas.", conta.

Algumas vezes, não só era necessário marchar, como ainda lutar no mesmo dia. Contudo, o grande problema para os soldados era cair ferido. Quem não tinha condições de ir mancando até um hospital de campanha ficava dias no campo de batalha esperando por socorro — e muitas vezes terminava degolado pelos ladrões que pilhavam os cadáveres.

Se conseguisse chegar a um posto de auxílio, a situação não era melhor. Na maioria dos casos, o membro ferido era amputado. E apenas um terço dos homens sobrevivia a isso, já que o processo era realizado muitas vezes por pessoas sem nenhuma qualificação médica.

Napoleão e seu exército / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pelo menos havia compensações para os que sobreviviam aos campos de batalha. Napoleão, guiado pelos ideais da revolução, promovia seus soldados pelo mérito em combate. "Ele instituiu a cultura das medalhas, a começar pela cobiçada Legião de Honra", ressalta o professor Howard. "Certa vez, perguntou para o comandante de uma unidade quem era seu mais bravo homem. Napoleão então chegou à frente do soldado, tirou a medalha da Legião de Honra de sua própria lapela e a colocou no peito do recruta. Imagine o quanto isso foi comentado entre tropas."

Os mais rápidos

Apenas para comparar, o exército francês marchava a 120 passos por minuto, enquanto o britânico caminhava a apenas 75 passos. Até hoje, somente o exército atual dos EUA marcha na mesma velocidade dos franceses.

Os mais resistentes

Disenteria, tifo e febres eram as principais causas de morte nos exércitos da época. Os ingleses, por exemplo, perderam quase 12 mil soldados na Espanha, entre 1812 e 1814, em conseqüência dessas enfermidades.

Os mais unidos

A convivência estimulava a criação de gírias. Le brutal (a brutal) era o apelido da artilharia. Veteranos eram dur à cuire (duro de cozinhar) e vielle moustache (bigode velho). A aguardente era le sauve-la-vie (a salva-vidas) e Napoleão, claro, era chamado, entre outros apelidos, de le Patron (o patrão).


+Saiba mais sobre o tema por meio das obras disponíveis na Amazon

Napoleão: uma Vida, de Vincent Cronin - https://amzn.to/2OyCGJ7

Napoleão Bonaparte: Cronologia 1751- 1815, de Ruben Ygua - https://amzn.to/2OyJsOU

Waterloo: A história de quatro dias, três exércitos e três batalhas. O confronto que deteve Napoleão, de Bernard Cornwell - https://amzn.to/2s3DCNS

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/3b6Kk7du