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'Francofonia', o filme que narra os esforços de um oficial nazista para salvar obras do Louvre

Em meados de 1940, Wolff-Metternich se uniu com Jacques Jaujard, o diretor do museu, para esconder cerca de 6 mil pinturas

Alexandre Carvalho Publicado em 23/05/2021, às 09h00

Pôster de divulgação do longa "Francofonia"
Pôster de divulgação do longa "Francofonia" - Divulgação/Sophie Dulac Distribution

Paris, cidade aberta. A expressão define o centro urbano que, em tempos de guerra, se rende ao inimigo para evitar perdas humanas e materiais — e passa a ser ocupado pacificamente. Dominado também. Foi o que aconteceu quando parte da França foi subjugada pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Embora os colaboracionistas, liderados desde julho de 1940 pelo Marechal Pétain, tivessem transferido a capital para Vichy, a cidade-luz permanecia um símbolo do que os franceses tinham de mais belo — toda uma delicadeza exposta aos coturnos alemães.

“Como o vencedor iria se comportar ao assumir o comando do centro da cultura mundial?”, pergunta o narrador do longa Francofonia (2015). Ele fala de Paris, mas especialmente do Museu do Louvre. Resistiria esse templo da arte à ocupação nazista?

Fotografia do faoso Museu do Louvre / Crédito: Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

A resposta é uma lição de história do diretor Aleksandr Sokurov — que já havia mirado sua câmera para outro museu, o Hermitage, no belíssimo Arca Russa. Aqui ele discorre a respeito da França sob o nazismo, da magnitude do Louvre e da origem de suas obras.

Uma aula embalada em cinema autoral, que reflete sobre a natureza da cultura e dos homens, enquanto combina imagens de arquivo com a reconstituição dramatizada da convivência entre dois personagens-chave: o diretor do museu na época e o oficial nazista responsável por administrar as coleções de arte francesas.

O primeiro, Jacques Jaujard, agindo em contrariedade à política de colaboração com o inimigo, havia coordenado uma evacuação em massa: 6 mil obras foram retiradas do Louvre e escondidas antes que os soldados do Führer chegassem.

O segundo, conde Wolff-Metternich, não ignorava essa ação subversiva. Mas agiu de acordo com seus próprios valores — não os de Hitler. Em vez de punir Jaujard, o oficial — ele próprio um historiador da arte — fez vista grossa.

Sabia que, apesar do princípio alemão Kunstschutz, de preservar a herança cultural dos países dominados, não tardaria a temida hora em que os nazistas finalmente saqueariam os inúmeros tesouros do museu mais importante do mundo.

E esse aristocrata — de título e de coração — não seria cúmplice desse crime. Por sua “ineficiência” em recuperar as obras sumidas, Wolff-Metternich recebeu a Legião de Honra quando a guerra acabou — a mais alta condecoração francesa por méritos militares. Foi um mau nazista, mas um herói da humanidade.


Alexandre Carvalho é jornalista e criou, em 2005, a revista de cinema Paisà. é autor dos livros “Inveja — como ela mudou a história do mundo” (2015) e “Freud — para entender de uma vez” (2017).


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