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Fruto do incesto: os trágicos momentos finais de Carlos II

Último membro da família Habsburgo, o monarca teve uma vida sofrida e passou por episódios trágicos em seus últimos dias

Alana Sousa Publicado em 19/07/2020, às 07h30

Carlos II, rei da Espanha aos 19 anos
Carlos II, rei da Espanha aos 19 anos - Wikimedia Commons

Características físicas peculiares e problemas de saúde eram uma das marcas de uma das mais influentes famílias da realeza espanhola da Idade Média: os Habsburgos. Governando parte da Europa Central, como Espanha e Áustria, e um pedaço da América do Sul, eles mantiveram poder e relevância por muitos anos, o que só acabou com o último monarca, Carlos II.

No final de 2019, um estudo realizado pela Universidade de Santiago de Compostelam, na Espanha, comprovou que a consanguinidade é a causa por trás da famosa mandíbula dos Habsburgos, que deixava seus membros com um queixo deformado. Além do aspecto externo, muitas complicações médicas perturbaram a vida dos parentes, principalmente de Carlos, que não conseguiu deixar nenhum herdeiro.

Carlos II quando criança / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para manter uma suposta pureza da família, o incesto era muito utilizado, a fim de restringir o “sangue real” a um pequeno grupo de pessoas. Tudo começou com Felipe e Joana de Castela, que deram vida a uma linhagem problemática: Carlos era primo de primeiro grau da sua própria mãe, além de ser sobrinho-neto de seu pai; logo, sua avó também era sua tia.

Apelidado de O Enfeitiçado, seu sofrimento se iniciou ainda na infância. Começou a falar apenas aos 4 anos e, andar, aos 8. Suas doenças incluíam problemas intestinais, inchaços nos pés, pernas, abdômen e face, ejaculação precoce. Apesar de ter sido casado duas vezes — com Maria Luísa d'Orleães e Maria Ana de Neuburgo —, era infértil e, segundo uma de suas esposas, impotente sexual.

Além de suas dificuldades pessoais, seu reinado foi repleto de crises e a Espanha entrou em declínio. A situação afetou profundamente o rei, que com quase 39 anos já aparentava muito mais idade. Um dos fatores que complicava a relação de Carlos com outros membros da corte era sua limitação em se comunicar. Por conta de sua língua ser inchada, ele salivava constantemente e, quando falava, mal era compreendido.

Últimos momentos

Com frequentes febres, sua saúde ia de mal a pior. O monarca precisava conviver com hidropsia (acumulação anormal de líquido em tecidos fetais), perda da força física e, ainda, ataques e espasmos epiléticos. Sabendo que sua partida estava próxima, ele escreveu ao papa Inocêncio XII, pedindo conselhos sobre quem deveria nomear como seu sucessor, já que não tinha filhos biológicos para isso.

Carlos II, rei da Espanha / Crédito: Wikimedia Commons

 

O religioso incentivou o rei espanhol a aceitar reivindicações francesas, que pressionavam a Espanha a ceder. Assim, Felipe, Duque de Anjou, se tornou o primeiro Borboun francês a chegar ao poder no país vizinho.

No momento que o próximo nome do reinado foi escolhido, na metade de setembro, Carlos II ficou preso na cama, pois, já não tinha forças para se levantar. Quando recebeu o testamento que aprovava sua decisão sobre Felipe, no início de outubro, o monarca exclamou: “Já não sou nada”. Era questão de tempo até que a morte do último membro dos Habsburgos fosse anunciada. Em 30 de outubro de 1700, o rei perdeu a consciência de vez, que por dias já oscilava.

“Ele tinha um coração do tamanho de uma pimenta, pulmões corroídos, intestinos cancerígenos, três pedras grandes em um rim, um testículo preto como carvão e uma cabeça cheia de água”. Em 1 de novembro de 1700, às 2:49 da madrugada, Carlos morreu de um derrame apoplético.

Seu paradeiro final está localizado na cripta real do mosteiro Escorial. A vida intensa e cheia de desafios, assim como a morte sofrida e longa, colocou fim em uma das dinastias mais poderosas da História. O que seguiu após a morte do rei apelidado de O Enfeitiçado foi a Guerra de Sucessão, causando milhares de vidas perdidas.


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