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Gávea Tourist Hotel: uma construção fantasma em plena Tijuca

Em 1972, a empresa responsável Califórnia Investimentos acabou declarando falência; foi o suficiente para uma atração insólita

Daniela Bazi Publicado em 08/02/2020, às 09h00

Visão área do Gávea Tourist Hotel
Visão área do Gávea Tourist Hotel - Divulgação

O Gávea Tourist Hotel começou a ser construído no ano de 1953, pelo arquiteto Décio da Silva Pacheco, com o intuito de ser um prédio de luxo para pessoas com um alto poder aquisitivo. Localizado na Estrada da Canoa, em São Conrado, no Rio de Janeiro, o hotel contaria com 30 mil metros quadrados para acomodar os hóspedes da melhor forma.

Em 1965, enquanto as obras continuavam, ocorreu uma festa de réveillon no grandioso prédio, que acabou sendo sede de uma balada chamada Sky Terrace por alguns anos no andar térreo. Contudo, em 1972, a incorporadora Califórnia Investimentos interrompeu a construção e, cinco anos depois, acabou decretando falência, deixando o prédio eternamente abandonado.

Panfleto de divulgação do Gávea Tourist Hotel / Crédito: Divulgação

 

Com a obra parada e sem nenhuma vigilância, todos os materiais que restaram, incluindo os elevadores que vieram da Suíça e estavam prontos para serem instalados acabarem sendo roubados por pessoas da região. Desde os anos 1980, o Gávea Tourist Hotel passou a ser utilizado como abrigo para moradores de rua e esconderijo para bandidos que costumam guardar ali armas do exército furtadas.

Nos dias atuais, a construção tornou-se um esqueleto, é uma espécie de ponto turístico alternativo para os visitantes do Rio de Janeiro que, ao subirem os 272 degraus e 16 andares são presenteados com uma bela vista do mar de São Conrado e da Pedra da Gávea.

Segundo o morador da Gávea Gustavo Souza, “Além das belas fotos que dá para tirar de lá, tem um pessoal que está praticando esportes, como rapel, skate”. Além disso, o hotel também é bastante utilizado como locação de fotos e videoclipes musicais.

O atual dono do Gávea Tourist Hotel é o empresário Jamil Elias Suaiden, que tinha o desejo de destruir a construção e, no lugar, fazer outro hotel luxuoso de quatro estrelas, dessa vez com aproximadamente 600 quartos além de um centro de convenções para os hóspedes.

Gávea Tourist Hotel por dentro / Crédito: Divulgação 

 

Entretanto, seu plano foi impedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que não autorizou que o prédio fosse alterado, por estar dentro da Floresta da Tijuca e ser próximo da Casa das Canoas, que são áreas tombadas como Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera e Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Desde então, a construção continua abandonada e aberta para a visitação, sem contar com nenhuma fiscalização de nenhum órgão do governo do Rio de Janeiro, ou contratada pelo próprio dono.


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