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Gênios em guerra: a eterna rivalidade entre Leonardo da Vinci e Michelangelo

Considerados os dois maiores artistas da Renascença, os pintores viviam em conflito e não suportavam ficar juntos na mesma sala

Pamela Malva Publicado em 25/06/2020, às 08h00

Retratos de Leonardo da Vinci e Michelangelo, respectivamente
Retratos de Leonardo da Vinci e Michelangelo, respectivamente - Wikimedia Commons

Em diferentes contextos, manter uma certa rivalidade poder ser bastante positivo, já que, por vezes, a competição gera uma maior produção. Quando a rixa é entre dois pintores, no entanto, as coisas são um pouco diferentes.

Clássicos renascentistas, Leonardo da Vinci e Michelangelo foram alvos da grande maioria das fofocas em Florença, em meados de 1504. Cada um com suas características, os dois artistas não faziam a menor questão de conviver.

Naquela época, os dois rivais estavam tão inflamados que uma simples escolha equivocada de palavras poderia gerar a pior discussão que a Itália já viu. Por esse motivo, inclusive, Leonardo e Michelangelo evitavam ficar no mesmo ambiente.

Retrato de Michelangelo por Sebastiano del Piombo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Batalha para além da tela

Naquele ano de 1504, o governo de Florença havia decidido que sua sede deveria contar com uma intervenção artística. Assim, Michelangelo Buonarroti, de 29 anos, foi convidado para criar uma cena de guerra, em uma das paredes do Palazzo della Signoria.

Em troca da pintura, o Estado florentino oferecia uma recompensa bastante substanciosa. Frente à isso, Michelangelo não pensou duas vezes para aceitar a proposta. O problema é que Leonardo da Vinci também fora convocado para a tarefa.

Orgulhosos e perfeccionistas, no entanto, nenhum dos dois artistas estava disposto a retroceder. Assim, ambos começaram a trabalhar em suas peças: duas cenas de batalha inspiradas na história recente de Florença. 

Autoretrato de Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

Cartas na mesa

Por algum tempo, o clima artístico na cidade ficou suspenso. Todos queriam saber qual dos dois grandes renascentistas ganharia a competição que se instalava. Qual obra, afinal, estamparia o Palazzo della Signoria?

Semanas se passaram e, ao contrário do que os entusiastas esperavam, Florença nunca realmente descobriu quem ganhou o desafio. Entre 1505 e 1506, tanto Michelangelo quanto Leonardo da Vinci interromperam suas obras inacabadas.

Daquela vez, a rivalidade entre os dois pintores chegou ao fim sem que os dois entrassem em um conflito real. Nos anos seguintes, no entanto, as batalhas indiretas e os insultos por baixo dos panos tornaram-se constantes e frequentes.

Homem Vitruviano e outras anotações de da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um mistério

Para Sigmund Freud, o único pensador a analisar a frenética competição entre os artistas renascentistas, a tal rixa se apoiava em alguns fatos distintos. Para começar, da Vinci e Michelangelo eram muito parecidos.

Segundo o pai da psicanálise, ambos tinham dificuldades com suas figuras maternas ausentes e ainda compartilhavam o mesmo fardo que era ser um homossexual no século 16. Leonardo, no entanto, era um tanto mais bem-resolvido do que o outro.

E, é claro, sempre poderia existir a questão da inveja. Muito mais novo do que da Vinci, Michelangelo detestava o rival, mas precisava estudá-lo, a fim de compreender as teorias do claro e do escuro, por exemplo. Era quase uma admiração velada.

Sem contar que Leonardo era, de fato, um homem muito mais confiante que o novato. Aos 51 anos, ele chamava atenção por onde passava e não se importava em usar túnicas cor-de-rosa, todas muito mais curtas do que o padrão da época exigia.

Estudos de Michelangelo para pintar A criação de Adão, na Capela Sistina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dois lados de um ringue

Certa vez, enquanto ainda mantinham a rivalidade viva, da Vinci estava na praça de Santa Trinitá, quando encontrou Michelangelo. Leonardo o provocou, pedindo que interpretasse uma parte da Divina Comédia, de Dante Alighieri. Irritado, o mais novo respondeu com escárnio, criticando a fama de procrastinador do artista rival.

As alfinetadas certamente não pararam por aí. Em seu Tratado sobre a Pintura, por exemplo, da Vinci chegou a condenar os “excessos anatômicos e a retórica muscular” de Michelangelo — a crítica foi tão óbvia que ele nem precisou mencionar o nome do pintor.

De um lado, portanto, Leonardo mantinha-se contemplativo, poliédrico e interessado no mundo natural. Do outro, Michelangelo era impulsivo, desordenado e idealista. Assim, as batalhas silenciosas continuaram por anos, em uma lógica complexa, que, de certa forma, fazia com que os dois artistas dessem o seu melhor para superar o concorrente. 


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