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Guerra, luto e misericórdia: os melancólicos dias finais de Dom Pedro I

Depois de abdicar do poder no Brasil Império, o dirigente voltou para a Europa e assistiu uma triste sequência de fatos se desenrolar

Pamela Malva Publicado em 30/04/2020, às 10h00

Pintura de Dom Pedro I, o Imperador do Brasil
Pintura de Dom Pedro I, o Imperador do Brasil - Wikimedia Commons

Desde muito jovem, Dom Pedro I teve de lidar com todos os tipos de responsabilidade. Aos nove anos de idade, viu seu país ser invadido pelas tropas de Napoleão e acompanhou a Família Imperial até o Rio de Janeiro.

Na Cidade Maravilhosa, aprendeu a ler e escrever em português, latim e francês. Conseguia, inclusive, compreender o inglês e o alemão. Diplomático e astuto, casou-se com Leopoldina em 1817 e, aos 24 anos, assumiu como Imperador do Brasil.

Nos anos seguintes, Pedro foi protagonista de diversos episódios marcantes na história brasileira, como grito da independência, em 1822. Seu governo, no entanto, acabou quando o imperador abdicou ao trono, em abril de 1831.

Daquele dia em diante, a vida de Dom Pedro I foi cheia de altos e baixos. Da sua volta para a Europa até seu último suspiro, o final da vida do homem foi repleto de tristeza, momentos de luto e muitas batalhas.

Ilustração de Dom Pedro I / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma viagem longa

Dom Pedro I e sua segunda esposa, Amélia, embarcaram para a Europa na manhã do dia 7 de abril de 1831. Após uma longa viagem, chegaram em Cherbourg-Octeville, na França, em 10 de junho.

O político tentou encontrar aliados na França e no Reino Unido por alguns meses, mas não obteve quaisquer respostas positivas. Foi, de fato, bem recebido, mas não conseguiu o apoio de nenhum dos dois governos europeus.

Sem nenhuma posição oficial, Dom Pedro I reivindicou seu título de Duque de Bragança, apesar de não ser o herdeiro direto do nome. Em dezembro, acompanhou, em Paris, o nascimento de sua única filha com Amélia, a princesa D. Maria Amélia.

Ainda assim, não deixou seus outros filhos sem notícias. Escrevia cartas diariamente e expressava suas saudades para cada um de seus herdeiros. Nos textos, também pedia que os jovens, principalmente Dom Pedro II, levassem suas educações a sério.

O casamento de Dom Pedro I e Amélia / Crédito: Wikimedia Commons

 

A chegada da guerra

Com o início da Guerra Civil Portuguesa em 1832, Dom Pedro I despediu-se de sua esposa e de sua filha para unir-se aos combatentes. Ao lado de seus aliados, o ex-imperador entrou na cidade do Porto em 9 de julho daquele ano.

Com seu conhecimento militar, Pedro assumiu a liderança de um grupo liberal. A frente contava com mercenários estrangeiros e alguns voluntários. O exército do Duque, no entanto, avançava em um número muito inferior aos opositores.

Assim, levemente vulneráveis, o grupo foi cercado pelos rivais por mais de um ano. Nesse meio tempo, em 1833, enquanto tentava solucionar o problema, Dom Pedro I descobriu que sua filha, Paula, ficava cada vez mais próxima da morte.

A guerra, todavia, não dava espaço para o luto e o Duque teve de carregar canhões, cavar trincheiras e cuidar de feridos enquanto chorava pela filha. O comandante ainda foi obrigado a assistir sua tropa ser alvejada e, por vezes, explodida.

Uma jogada de mestre

Com a guerra quase perdida, Dom Pedro I decidiu por uma manobra arriscada. Dividiu suas forças e ordenou que parte dos combatentes atacasse ao sul de Portugal. Algarve caiu e a tropa do Duque avançou para Lisboa, dominando a capital.

A batalha, contudo, não estava nem perto de acabar. De repente, Carlos, o Conde de Molina, decidiu somar suas forças à equação complicada. Foi mais um obstáculo que Dom Pedro I precisou superar para continuar vivo.

Sem muitas saídas a vista, o Duque de Bragança assinou uma aliança com exércitos espanhóis e, como consequência, um tratado de paz foi assinado. De 26 de maio de 1834 em diante, Portugal ficaria bem. Ao menos era o que Pedro esperava.

Ilustração do momento da morte de Dom Pedro I / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma perda irreversível

Enquanto lutava no conflito, a saúde de ferro do ex-imperador decaiu de uma forma nunca vista antes. Tão destrutiva por dentro quanto foi por fora, a guerra deteriorou a imunidade de Dom Pedro I e, de repente, ele se viu vítima da tuberculose, em 1834.

No dia 10 de setembro daquele ano, após meses lutando contra a doença e vivendo em uma cama, o Duque ditou uma carta aberta aos brasileiros. Nela, ele pedia pela abolição da escravidão. “É um mal, e um ataque contra os direitos e dignidade da espécie humana”, explicou, “É um câncer que devora a moralidade”.

O ex-imperador brasileiro morreu em 24 de setembro de 1834. Deixou seus filhos e sua esposa para trás e, conforme pedido, teve seu coração sepultado na Igreja da Lapa, no Porto. O cadáver, por sua vez, foi enterrado em Lisboa. 


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