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Há exatos 57 anos, o monge budista Thích Quảng Đức ateva fogo em si mesmo como forma de protesto

Entenda os bastidores da dramática foto que ocorreu em 1963 — e recebeu um Pulitzer

Redação Publicado em 11/06/2020, às 08h00

Momento em que Thích ateou fogo em si mesmo
Momento em que Thích ateou fogo em si mesmo - Wikimedia Commons

Quando Malcolm Browne capturou o momento em que o monge budista Thích Quảng Ðức ateou fogo em seu próprio corpo, o fotógrafo não imaginou o quanto a imagem ficaria conhecida. Muito menos que ele ganharia dois prêmios pela foto impressionante. Mas o que realmente aconteceu com o monge para que tomasse uma atitude tão chocante?

Foi em 1955 que Ngo Dinh Diem se tornou o primeiro presidente do Vietnã do Sul após a independência e divisão do Vietnã. Por mais que, na época, entre 70 e 90% da população local fosse budista, o regime era declaradamente pró-católico.

Por isso, logo que assumiu o posto, Ngo declarou o país como devoto da Igreja Católica. Essa decisão, junto de políticas discriminatórias contra o budismo, gerou um clima de insatisfação popular.

Em maio de 1963, dias depois de uma cerimônia pública onde foram expostas cruzes cristãs, a bandeira budista foi banida. Isso tencionou ainda mais o clima do país — que estava em guerra contra os EUA e outros países asiáticos —, gerando diversos protestos em prol da religião que sofria com as proibições.

Foi em um desses atos, em Saigon, que Thích Quảng Ðức praticou a autoimolação, ou seja, um auto sacrifício em prol de algo maior. Cerca de 350 monges apareceram, contando Thích, e se aglomeraram nas ruas para protestar contra o mandante do país.

Testemunhas dizem ter visto o religioso chegando ao local em um carro, acompanhado por outros dois monges. Bem no meio de m cruzamento, Thích desceu do veículo e se sentou calmamente em uma almofada, na posição de lótus — comumente usada para meditação.

Um dos monges que o acompanhava, então, despejou um galão de gasolina sobre Thích. Encharcado, ele mexia nas contas de oração que tinha nas mãos, recitando uma prece. As testemunhas afirmaram que, logo em seguida, na frente de centenas de pessoas, o monge ascendeu um palito de fósforo e ateou fogo em si mesmo.

Ele queimou por cerca de 10 minutos e se manteve imóvel o tempo todo. Thích apenas saiu da posição de meditação quando morreu e seu cadáver tombou para trás. Nesse momento, já com as chamas apagadas, um grupo de monges se aproximou do corpo e o cobriu com robes. O cadáver foi levado a um tempo budista no centro de Saigon, onde foi cremado novamente, durante o funeral.

Outros relatos também indicam que o coração do monge budista teria ficado intacto, mesmo com a dupla cremação. O órgão se tornou uma relíquia que, hoje, está guardada no Templo Xa Loi. Logo depois da morte de Thích e de outras autoimolações que se seguiram no país, as tensões religiosas levaram ao golpe de estado que resultou na derrubada e morte do presidente, em novembro de 1963.


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