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Fernando Gabeira e a tanga que escandalizou a ditadura militar brasileira

Ao voltar do exílio, o ex-sequestrador trouxe sua Política do Corpo, em meio ao turbulento período do país

Tamis Parron Publicado em 02/08/2019, às 08h00

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- Reprodução

Todo mundo dizia que ela era de crochê. Alguns apostam que era lilás. O fato é que, ao voltar do exílio, Fernando Gabeira e sua tanga trouxeram novas cores ao país, surrado pelo verde-oliva militar e angustiado pelo vermelho esquerda. Assim que desembarcou no Rio, em 1979, o ex-sequestrador surrupiou uma tanga da prima, Leda Nagle, e foi à praia de Ipanema.

No fundo, era uma nova forma de fazer política. Ele já não era o mesmo jovem que se engajou na luta armada, cheia de chavões e machismo. Na Europa, tinha assistido ao crescimento do movimento ambientalista e da luta pelas liberdades sexuais. Os velhos camaradas ficaram perplexos: afinal, o que é isso companheiro?

Gabeira de sunga nos anos 80 / Crédito: Reprodução

 

“Percebi a inviabilidade da luta armada como processo de transformação política. E presenciava a decadência do socialismo real, feito por burocracias conservadoras”, analisa Gabeira, hoje deputado federal. “A política do corpo era uma ruptura com isso, mostrando que o corpo era o espaço onde havia repressão e onde as coisas também aconteciam”, diz. Para matar a curiosidade: a tanga original era azul e amarela. Só quando ficou bem gasta é que Gabeira comprou a lilás.