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Annie Taylor: A mulher que desceu as cataratas do Niágara num barril

No seu aniversário de 63 anos, a professora aposentada tem uma ideia insana. Atrás de fama ou de uma causa, não foram poucos os que seguiram o exemplo e se lançaram às águas do Niágara

Paula Lepinski Publicado em 17/07/2019, às 08h00

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- Crédito: Reprodução

As Cataratas do Niágara, na fronteira entre Canadá e Estados Unidos, são vistas como o lugar perfeito para turistas, amantes, e (já chegamos lá) aventureiros. Com três cascatas de até 50 metros de altura, é a quarta maior cachoeira do mundo em fluxo volumétrico de água, logo acima das Cataratas do Iguaçu – que são mais altas e mais largas, mas sem o mesmo volume. É o cenário certo para ideias insanas, como descer a queda d’água dentro de um barril. Sim, igual ao Pica-Pau. Aconteceu na vida real.

A primeira pessoa de carne e osso a se aventurar catarata abaixo dentro de um barril foi a americana Annie Edson Taylor, em 24 de outubro de 1901, em seu aniversário de 63 anos. Professora aposentada, teve a ideia para ficar famosa e ganhar dinheiro.

Annie Edson Taylor / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um barril impermeável e acolchoado por dentro era a sua única proteção contra a Horseshoe Falls, porção mais violenta das cataratas. Primeiro, ela enviou um gato para testar o barril. O bicho e o barril sobreviveram e, após muitos atrasos, tentando convencer seus amigos que não era suicídio, o plano foi posto em ação. Annie entrou no barril, posto ao lado de um bote, a parte de cima foi tapada, e ar comprimido foi bombeado pela rolha, com uma bomba de bicicleta. Selado hermeticamente, o barril foi solto e, 20 minutos depois, ela foi resgatada no rio Niágara, apenas com um corte na cabeça – mas quase morrendo de asfixia.

Poucos quiseram pagar para ouvi-la. De consolo, recebeu a alcunha de Heroína das Cataratas do Niágara.

Seguindo o exemplo

Nas décadas seguintes, 16 pessoas seguiram o exemplo de Taylor, nem todas com sucesso. Do dublê americano Charles Stephens, que enfrentou as cataratas em 1920, só foi encontrado o braço direito. Se a intenção dele era fama, conseguiu: o episódio lhe rendeu alguns minutos no documentário As Mais Estranhas Formas de Morrer, do Discovery Channel.

Mas não é só fama que os aventureiros do Niágara buscam – alguns saltaram com uma causa. Foi o caso da dupla de canadenses Peter Debernardie e Jeffrey Petkovich, em 1988. Queriam mostrar para as crianças que existiam coisas melhores para fazer além de usar drogas.

As Cataratas do Niágara / Crédito: Pixabay

 

Antes de você se animar, saiba que descer as cataratas é crime. Em 1951, o Parque Nacional do Niágara se viu obrigado a proibir o ato e aumentar a multa para quem pulasse nas cataratas sem permissão – de meros US$ 100, hoje pode chegar a até US$ 10.000.

Sem impedimento

Mas isso não foi impedimento para aventureiros, como o canadense David Munday, que sobreviveu à façanha em outubro de 1985, após ter sua primeira tentativa espetacularmente frustrada pela polícia – a qual contatou a hidroelétrica acima das quedas para diminuir o fluxo do rio, fazendo seu barril metálico entalar. Na investida seguinte, ele desceu. Mas queria mais: continuou a ser pego, preso e a persistir até seu segundo sucesso, em 1993.

David Munday ao lado do barril usado para descer as cataratas / Crédito: Reprodução

 

O americano Kirk Jones, que já havia descido as cataratas sem equipamento algum em 2003, decidiu tentar a sorte novamente em 2017, desta vez munido de uma bola inflável. A sua sorte, parece, havia sido gasta na primeira vez: o corpo foi encontrado 19 quilômetros rio abaixo. Lembrando que um ser humano não foi a primeira criatura a descer as cataratas num barril. Em 1901, um gato chegou antes. E sobreviveu.