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Quando o ano não começava em janeiro

Era uma bagunça: cada lugar celebrava numa data. A mais comum era 25 de março

Álvaro Oppermann Publicado em 01/01/2020, às 07h00

Imagem meramente ilustrativa de uma explosão de fogos de artifício
Imagem meramente ilustrativa de uma explosão de fogos de artifício - Getty Images

Na república romana, o ano começava quando o cônsul assumia a cadeira. Isso teve várias datas, até Júlio César promulgar um novo calendário, em 45 a.C. Então o senado decidiu que, não importa quando o cônsul assumisse, 1º de janeiro seria o começo. Era adequado: o do mês vem de Janus, o deus das passagens.

Com a queda do império, a coisa ficou bagunçada. Os padres se tornaram praticamente a única classe alfabetizada. Quem escreve, registra o tempo. Assim, na Idade Média, datas cristãs passaram a marcar o começo do ano, variando conforme o local. Podia ser no Natal, na Páscoa ou o Dia da Anunciação, 25 de março, que era o mais comum.

As festas duravam cinco dias, até primeiro de abril. Em 1582, a própria Igreja decidiu pôr ordem nas coisas, com o novo calendário do papa Gregório XIII. A reforma foi porque o calendário juliano tinha uma imprecisão de três dias a cada 400 anos - depois de tanto tempo, as estações do ano e as datas de celebração cristã estavam dessincronizadas. O papa decidiu retomar a tradição romana e colocar o começo do ano em 1º de janeiro - com a justificativa religiosa que esse é o dia da circuncisão de Cristo

No início, a mudança gerou confusão. Por teimosia ou desconhecimento, muitos europeus continuaram brindando o novo ano na data antiga, e os trotes de 1º de abril nasceram desse esse equívoco.

A reforma do papa Gregório XIII terminou com a bagunça. Ou pelo menos tentou. A Inglaterra, por exemplo, só adotou a nova folhinha em 1752. Apesar de ter se antecipado ao papa e, por ordem do rei Carlos IX, trocado de calendário já em 1564, a França só conseguiu impô-lo com a Revolução Francesa, em 1789. 


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