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Canhão de luz solar: Conheça o curioso raio da morte de Arquimedes

A inusitada invenção teria incinerado navios durante a Segunda Guerra Púnica — possibilidade que gera debates até hoje

Thiago Lincolins Publicado em 24/09/2021, às 09h00

Representação do espelho de Arquimedes usado para destruir navios
Representação do espelho de Arquimedes usado para destruir navios - Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Em meados de 213 a.C., habitantes de Siracusa, na Sicília, resistiam aos ataques da emergente república romana, que queria impedir sua aliança com Cartago. Era a Segunda Guerra Púnica e os habitantes gregos da cidade seriam vítimas colaterais de uma guerra entre as superpotências do Mediterrâneo.

Acontece que, contra as superpotências, Siracusa tinha uma arma secreta: Arquimedes, o engenheiro, matemático e cientista que, aos 78 anos, parecia estar no auge de sua criatividade. Segundo os relatos da época, Arquimedes construiu catapultas e a impressionante garra, um guindaste que era capaz de levantar navios inimigos para derrubá-los de volta ao mar, com efeitos letais.

Também teria criado um canhão de vapor, uma ideia que foi testada amplamente na era do vapor, no século 19, sem que ninguém tivesse produzido uma arma viável.

Se fazer um canhão de vapor era se adiantar 2 mil anos, Arquimedes foi além: ele fez algo que ainda está em fase experimental. Ele teria conseguido concentrar, através de espelhos, a luz do sol nos navios romanos, fazendo-os entrar em chamas. Era uma arma de luz, quase como um laser da Antiguidade.

Seria mesmo possível? A história só aparece muitos séculos após o cerco, nos relatos de historiadores romanos. Por milênios, autores se dividiram entre crentes e céticos.

Representação de Arquimedes, por Domenico Fetti / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Uma simulação notória realizada por estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts se propôs a testar a invenção em 2005. Para o experimento, 127 espelhos quadrados, medindo 30 centímetros, foram apontados para um navio de madeira.

A embarcação queimou em determinados pontos, mas isso só foi possível depois que o céu ficou sem nuvens e porque o navio estava estático por dez minutos. O experimento foi repetido no programa Mythbusters, da Austrália. Mas o resultado foi o mesmo.

O programa indicou que, como o mar que cerca Siracusa está direcionado ao leste, assim a frota romana teria que ter invadido a cidade especificamente durante a manhã para que os sicilianos contassem com uma grande quantidade de luz. Além disso, também foi explicado que as armas convencionais da época, como flechas e catapultas, teriam sido mais eficientes em incendiar um grande navio em curtas distâncias.

Uma lenda assim não deve ter surgido do nada, porém. Se o raio realmente existiu, foi eficaz apenas em cegar ou distrair os inimigos. Seja como for, os romanos não conseguiram entrar. Mas os siracusanos estavam prestes a morrer de fome. No fim das contas, o traidor Moeriscus abriu os portões para salvar a própria pele.

Os romanos entraram e, apesar das ordens explícitas de seu líder, Marco Cláudio Marcelo, para trazer Arquimedes com vida, um soldado o trespassou com uma espada. Ou porque não o reconheceu ou, muito pelo contrário, por vingança por tanta dor infligida por seus inventos diabólicos.