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Maus-tratos e invasões: as lendas aterrorizantes por trás do antigo Castelinho do Flamengo

Hoje um centro cultural, o local desenvolveu narrativas obscuras no passado

Vanessa Centamori Publicado em 13/03/2020, às 08h00

Castelinho do Flamengo
Castelinho do Flamengo - Divulgação

O prédio do Castelinho do Flamengo, localizado no Rio de Janeiro, foi criado no século 20 para ser uma construção aos moldes do requinte italiano. No entanto, essa sofisticação, fabricada ao estilo misto Art Nouveau, hoje carrega uma fama muito mais sinistra do que chique, graças às inúmeras histórias de terror que são contadas sobre o local. 

Atualmente, o prédio é tomado por moradores de rua e sofre constantes invasões. O edifício tem o nome de Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho, em homenagem ao dramaturgo carioca. 

Entre as atividades que hoje o Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho abriga, estão oficinas de teatro, arte e meditação. Difícil é imaginar, porém, como alguém consegue meditar diante do histórico do Castelinho. Diz a lenda que seus antigos moradores hoje assombram o local.

Cartão postal do Castelinho do Flamengo / Crédito: Divulgação 

 

Em 1918, dois anos após o prédio ser arquitetado pelo italiano Gino Copede, a ideia para o edifício tomou forma. O encarregado por executá-la foi o arquiteto brasileiro Francisco dos Santos. Ele seguiu o estilo de Copede, que era cheio de originalidade e misturava elementos de art decó, art nouveau, neo-barroco e neogótico francês. 

Assim que o lugar foi finalizado, a esposa e o comendador Joaquim da Silva Cardoso, um dos fundadores e presidente do atual Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro ( SINDUSCON-RIO), se mudaram para o local. 

Anos depois, em 1932, ele foi a moradia do imigrante português Avelino Fernandes, que viveu lá junto da esposa e da filha, Maria de Lourdes Feu Fernandes. Foi assim até que ambos morreram. 

Escada do Castelinho do Flamengo / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Uma história popular diz que Maria de Lourdes e Avelino Fernandes foram atropelados por um bonde, na frente do Castelinho do Flamengo. A cena sanguinária teria sido presenciada pela filha do casal, que era apenas uma criança inocente. Ela então passou a ter uma vida de muito sofrimento. 

Devido à morte dos pais, a garota foi entregue à um tutor, que a roubou e a tratava muito mal dentro do local. Ela ficou presa na torre principal do imóvel e teria cometido suicídio. A filha do casal Fernandes estaria agora rondando o terreno, em busca de vingança. 

Detalhe do corredor do Castelinho do Flamengo / Crédito: Divulgação/ Youtube 

 

A gerente de equipamentos culturais da Secretaria municipal de Cultura, Kenya Eleison, contou em entrevista ao Jornal O Globo, no entanto, que que não existem registros que comprovem que a menina teria se matado. Tornando a narrativa uma lenda.

Fato é que muitas pessoas relatam ouvir ruídos, que seriam supostamente do fantasma da garota. “Para mim, se tinha fantasma ele ficou bastante feliz com o centro cultural, afirmou Eleison. “A casa tem muita madeira, é normal estalar, fazer barulho”.

Sala presente no Castelinho do Flamengo / Crédito: Divulgação/ Youtube 

 

Em 1983, houve uma tentativa do tombamento do imóvel por parte do ex-Prefeito do Rio de Janeiro, Julio Coutinho, em uma decisão feita em conjunto com o o escritor Pedro Nava, na época, o residente do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural.

A medida falhou e o Castelinho do Flamengo continuou a ser ocupado ilegalmente até o fim da década de 1980. Uma enorme reforma teve de ser feita, custando um milhão e duzentos mil dólares. Mas o dinheiro e a mudança na aparência não foi capaz de apagar os boatos assustadores sobre o passado do edifício projetado no início do século 20.

O Castelinho está entre as únicas construções que sobraram da época de quando a Praia do Flamengo era lotada de palacetes e casarões. Agora, o imóvel faz parte da Avenida Beira-Mar e encanta o imaginário dos curiosos e amantes de uma boa lenda urbana. 


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