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Frustrado com o governo, um homem tentou jogar um avião no Planalto

Durante o episódio, que ocorreu 13 anos antes do 11 de setembro de 2001, o terrorista tinha um objetivo especifico: assassinar Sarney

Fabio Previdelli Publicado em 14/06/2020, às 08h00

Raimundo Nonato em foto tirada antes do sequestro
Raimundo Nonato em foto tirada antes do sequestro - Divulgação

O atentado em 11 de setembro de 2001 foi um dos mais traumáticos e catastróficos na história americana. O desastre poderia ter sido maior se passageiros do Voo United Airlines 93 não tivessem confrontado terroristas que pretendiam jogar um avião no Capitólio.

No entanto, o que poucos sabem é que tragédia parecida quase aconteceu em solo brasileiro — mais de uma década antes. Em 29 de setembro de 1988, o Boing 737-300, da Vasp, foi sequestrado por Raimundo Nonato Alves da Conceição.

O maranhense de 28 anos culpava o governo pelo frágil momento econômico que passava — estava desempregado — e visou atingir o centro político brasileiro como uma forma de retaliação. Armado com um revólver calibre 32 durante o voo, Nonato matou a queima roupa o copiloto Salvador Evangelista, que foi atingido com um tiro na cabeça enquanto tentava pegar um rádio para se comunicar com um chamado da torre de controle, em Brasília.

Um outro copiloto, que viajava como passageiro, também foi ferido ao tentar parar o ato terrorista. “O meu sequestro foi um dos primeiros com aviões no país. Desde então, muita coisa mudou. Mas foi um processo lento de conscientização pela melhoria da segurança na aviação. Naquele tempo, não havia nem detectores de metais nos aeroportos”, declarou o comandante Fernando Murilo de Lima e Silva em entrevista ao G1.

O Boing da Vasp faria o trajeto Porto Velho/Rio de Janeiro, com algumas escalas entre o percurso. Em uma delas, Belo Horizonte, foi onde Raimundo entrou armado. Junto dele, a aeronave transportava 135 passageiros e oito membros da tripulação.

Segundo o comandante, “a ação começou quando já estávamos sobrevoando os céus do Rio de Janeiro. Ele gritava: ‘eu quero matar o Sarney. Quero jogar o avião no Planalto!’. Na época, eu não tinha ideia de que aquilo poderia ocorrer".

A crise de Raimundo

O maranhense havia ficado desempregado devido à crise econômica que assolava o país e ele afirmava que o turbulento momento era de total responsabilidade do presidente José Sarney (PMDB), que governou o Brasil entre os anos de 1985 e 1990.

Quando sequestrou o Boeing, Nonato ordenou que a aeronave fosse levada do Rio até Brasília. Porém, como o avião ficaria sem combustível devido a imprevisível troca de percurso, o piloto conseguiu convencê-lo que seria melhor todos pousarem em segurança em Goiânia.

“Podíamos despencar a qualquer momento”, relembra Fernando. “Mas ele não estava nem aí. Era doente, estava para o que desse”. Ao aterrissar em Goiás, a aeronave foi cercada pela Polícia Federal. Lá, o sequestrador decidiu concluir seu plano terrorista e partiu em direção a uma aeronave de menor porte, levando Silva como seu refém.

“Ele tentou subir em um Bandeirante que estava estacionado próximo ao Boeing para fugir. Foi nessa hora que eu corri. Um agente da PF [Polícia Federal] conseguiu lhe acertar no quadril, mas o sequestrador ainda teve tempo de atirar, e me acertou na perna”, recorda.

Nonato foi alvejado no quadril pelos policiais e morreu de infecção, dias depois, quando já estava internado no hospital.

“Hoje é mais difícil ocorrer um sequestro como aquele no país, acho que pode se repetir apenas em aeronaves menores, ou em aeroclubes pequenos. Os aeroportos possuem detectores de metais, mas muita coisa ainda precisa melhorar”, concluiu o comandante.


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