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Obras subversivas: Para acabar com uma suposta ameaça comunista, Vargas mandou queimar milhares de livros

De autoria, principalmente, de Jorge Amado, os livros eram acusados de espalhar uma perigosa doutrina comunista pelo Brasil

Vinícius Buono Publicado em 16/10/2020, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Pixabay

Em 19 de novembro de 1937, uma coluna de fumaça preta subiu aos céus de Salvador, intrigando os moradores locais. Não era incêndio, apenas uma fogueira. O combustível? Livros, milhares deles. 

Apenas nove dias antes, Getúlio Vargas havia dado um golpe de Estado. Inaugurou a ditadura do Estado Novo, um regime populista com características protofascistas.

Dos 1.827 livros queimados naquele dia, quase todos eram de autoria de Jorge Amado. Comunista convicto, o escritor costumava inserir elementos considerados subversivos em suas obras, como a luta de classes, ao mesmo tempo que misturava com uma prosa leve e fluida que exaltava, principalmente, o povo baiano.

Matéria do Jornal Correio anunciando o episódio / Crédito: Divulgação

 

Getúlio Vargas buscava eliminar a ameaça vermelha de qualquer maneira. O famoso Plano Cohen, uma das mais famosas fake news da história do Brasil, dizia que os comunistas estavam se preparando para tomar o poder e, por isso, o sistema precisava ser recrudescido, sendo a desculpa perfeita pro golpe que gerou o Estado Novo. Foi essa, também, a justificativa dada pelo regime para a queima dos livros, alegando que eles propagavam o comunismo.

A Intentona Comunista, um levante militar organizado pelo Partido Comunista Brasileiro dois anos antes no Rio de Janeiro, também dificultou a vida de diversos pensadores e intelectuais opostos ao regime, não importando se eram ou não filiados ao partido.

Jorge Amado foi processado, chegou a ser preso mais de uma vez e exilado. Inclusive, estava preso no momento em que seus livros, principalmente o recém-lançado Capitães da Areia, viravam cinzas.


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