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Che Guevara: 8 fatos não tão conhecidos sobre o líder revolucionário

Abandonando a família e a medicina, Guevara acabou se transformando em um guerrilheiro e mais tarde tornou-se um dos maiores símbolos do século 20

José Alberto Gonçalves Publicado em 26/06/2020, às 11h00

Retrato do revolucionário Che Guevara, colorizado artificialmente
Retrato do revolucionário Che Guevara, colorizado artificialmente - Divulgação/ Klimbim

1. Mochileiro da América

No início de 1952, antes de iniciar o último período do curso de medicina, Ernesto Guevara estava insatisfeito. Sentia que precisava conhecer melhor as pessoas de quem iria tratar pelo resto da vida. Ele queria ir além da Argentina e tinha um parceiro em seus anseios: Alberto Granado. Era dele a motocicleta que chamavam de La Poderosa (uma Norton de 500 cilindradas), na qual partiram em janeiro.

A moto só aguentou até o Chile, onde foi abandonada sem freios. O dinheiro acabou em março e ele passou a depender de quem lhe desse comida, carona e abrigo. Todavia, ele foi além. Na época, não era um revolucionário. Se comportava apenas como um jovem incomodado om a pobreza e as suas desigualdades. Visitou hospitais na Bolívia e ajudou um leprosário na Amazônia peruana.


2. Golpe e revolução

Quando Che Guevara chegou à Guatemala, o governo de Jacobo Arbenz tentava mudar o país, implementou a reforma agrária e garantiu direitos trabalhistas aos operários. O bom relacionamento do político com a esquerda fez da Guatemala o destino perfeito para perseguidos políticos de toda a América. Ernesto apreciava o clima progressista que se vivia naquele momento e se aproximou dos militantes socialistas, principalmente do grupo moncadistas.

Uma das imagens mais famosas de Guevara / Crédito: Wikimedia Commons

 

Todavia, a situação no país esquentou. Arbenz irritou latifundiários e grandes empresas, como a United Fruit, e passou a ser pressionado para renunciar ao cargo. Em junho de 1954, a capital foi bombardeada por Honduras com apoio dos Estados Unidos. Guevara refugiou-se na embaixada argentina e, em carta enviada à sua mãe, criticou Arbenz e mostrou sua nascente veia revolucionária.


3. Amizade com Fidel

Fidel Castro chegou ao México em junho de 1995, junto com seu irmão Raúl e outros dissidentes cubanos, com o objetivo de organizar a luta armada em Cuba. Eram conhecidos como moncadistas por terem participado do ataque ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 1953, na tentativa de derrubar a ditadura de Fulgencio Batista. Fidel permaneceu preso em Havana até maio de 1954. Foi anistiado e fugiu.

Guevara conheceu Fidel em junho de 1955 e, menos de um ano depois, deixou o trabalho em hospitais para integrar ao grupo. Como médico do exército rebelde, participou do treinamento de guerrilha no Rancho San Miguel. Como consequência, ficou 57 dias preso. Foi nesse período que enviou uma carta à sua mãe incorporando o Che – apelido dado a ele pelos amigos cubanos – à sua assinatura.


4. O grande roubo do trem

O avanço da guerrilha liderada parecia irrefreável no final de 1958. Para seguir rumo a Havana, no entanto, era preciso tomar Santa Clara, o principal entroncamento de transportes da ilha. Com apenas 340 homens para enfrentar as tropas do exército apoiada por aviões e tanques, a estratégia de Che era tomar um carregamento de armas que chegaria á cidade em 29 de dezembro.

Os guerrilheiros sabotaram os trilhos e o trem descarrilou. “Os homens eram tirados com coquetéis de Molotov do trem blindado, que se convertera em um verdadeiro forno”, escreveu Che. Os soldados se renderam, entregando um arsenal de 600 fuzis, 1 milhão de cartuchos, dezenas de metralhadoras, um canhão de 20 milímetros, morteiros e bazucas. Finalmente, eles estavam prontos para Havana.


5. O paredão da morte

No início de 1959, o calor da tomada de Havana e dos combates que se seguiram não arrefeçara. Em meio à incerteza quanto ao triunfo do movimento socialista em Cuba, discutia-se o que fazer com os prisioneiros que haviam defendido o governo de Batista, o ditador deposto. Eram militares acusados de tortura, crimes comuns e execução de rebeldes.

Che não escondeu sua posição sobre o assunto. Para ele, a revolução só triunfaria se todos fossem julgados e passagem as penas que recebessem. Ele defendia a execução dos condenados. E assim foi.

Em La Cabanã – uma antiga fortaleza construída pelos espanhóis no século 18 -, em janeiro de 1959 foram fuziladas dezenas de pessoas no que ficou conhecido como “El Paredón”. Até 1960, entre 200 e 700 pessoas foram mortas. Até hoje, cubanos contrários ao regime de Fidel citam o episódio como um assassínio indiscriminado e culpam Che pelas mortes.


6. Crise dos mísseis

Che era a favor da presença de mísseis soviéticos em território cubano. De fato, ele participou ativamente do acordo militar com o governo soviético que, em julho de 1952, instalou armas nucleares em Cuba. Para ele, a presença dos mísseis protegeria a ilha de uma invasão.

Crédito: Wikimedia Commons

 

O presidente John Kennedy deu um ultimato aos soviéticos para retirarem as armas. Caso contrário, ameaçava retaliar. Em outubro, Kruschev concordou em levar os mísseis de volta. Che e Fidel sentiram-se traídos. Foi o mais próximo que o mundo chegou de uma guerra nuclear.


7. O desaparecimento de Che

Em 1965, correu a notícia, primeiro em Cuba e depois na imprensa mundial, que Che estava preso num hospital. Semanas depois, um novo boato: ele teria vendido segredos militares de Cuba e desertado. As falsas informações procuravam explicar um fato concreto: Guevara estava desaparecido. E permaneceria assim durante quase oito meses.

Na verdade, Che havia partido para a missão mais secreta da Revolução Cubana. Tão confidencial que só 25 anos depois foi totalmente confirmada por Fidel Castro. Era a participação de Guevara – e do governo Cubano – na guerrilha na República Democrática do Congo. Lá, Che e cerca de 70 soldados cubanos juntaram-se ao grupo rebelde local. O objetivo era reinstituir o regime nacionalista de esquerda de Patrice Lumumba, morto em janeiro de 1961.

Os cubanos enfrentaram várias dificuldades, não conseguiram sequer compreender dialetos locais. Quando perderam o apoio da Tanzânia, os congoleses desistiram da luta.


8. Tio Ramón

“Mamá, acho que esse senhor está apaixonado por mim”, disse Aliusha a sua mãe Aleida após beijar o homem que conhecia como tio Ramón. Ao ouvir a menina, então com 5 anos, os olhos do velho se encheram de lágrimas. Aliusha era a filha mais velha de Aleida e Ernesto Guevara.

Tio Ramón era Ramón Benítez. E Ramón Benítez era Che Guevara. O disfarce havia sido produzido pelo governo cubano, que criou identidades falsas, nos anos de 1965 e 1996, para que pudesse permanecer incógnito em Cuba – bem como entrar e sair do país – e assim poder planejar e executar seu plano de fomentar movimentos de guerrilha socialista pela África e pela Ámerica. Ramón era um homem de meia idade, na faixa dos 50 anos. O disfarce exigiu que Che retirasse boa parte dos cabelos e usasse óculos de aros grossos e dentes postiços.

Foi um dos momentos mais difíceis de Che em toda sua vida. Tudo precisava permanecer em sigilo máximo. O medo de espionagem era enorme e se temia que, caso descobrissem que Che sairia de Cuba, ele fosse perseguido e morto.


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