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Como fazíamos sem código de barras?

O famoso “fechado para balanço” só começou a desparecer na metade da década de 1990

Alessandro Greco Publicado em 17/12/2018, às 11h00

O código de barras foi usado pela primeira vez em um supermercado em 1974
Getty Images

Supermercados precisam estocar milhares de produtos de marcas e tamanhos diferentes. Manter a contabilidade de quanto se tem de cada um deles é uma tarefa ingrata, mas absolutamente necessária para a sobrevivência da empresa. Durante a maior parte do século 20, a única forma de saber o que havia dentro de um supermercado era literalmente fechar as portas do local por um ou dois dias e contar um a um os produtos que estavam lá dentro. Sempre havia erros, muitos erros nas contas, e nunca o que estava no papel correspondia ao que havia dentro do supermercado. Resultado: pesadelo diário para os gerentes e um prejuízo que chegava a 2,5% do estoque.

O famoso “fechado para balanço” só começou a desaparecer dos supermercados na metade da década de 90. Até então, cada setor da empresa tinha um código interno usado para fazer a contabilidade. Muitas vezes havia código de barras no produto que vinha da indústria, mas aquelas barras esquisitas eram ignoradas no caixa: o operador registrava de cara o preço da mercadoria. E o único jeito de saber se um produto estava vendendo bem era examinando se as prateleiras estavam vazias.

Nos tempos de inflação alta, o problema piorava. Como os preços mudavam às vezes diariamente, havia um exército de funcionários destinados apenas a etiquetar os preços em cada pacote de biscoito, cada garrafa de refrigerante, cada pacote de papel higiênico.

O tormento dos supermercados foi levado ao diretor do Instituto de Tecnologia Drexel, na Filadélfia, Estados Unidos. A conversa de corredor foi ouvida pelo estudante de graduação Bernard Silver, que contou tudo ao amigo Norman Joseph Woodland sobre o caso. Woodland ficou fascinado pela ideia. Largou o instituto e foi morar com seu avô na Flórida, para se dedicar integralmente a criar o tal sistema. Após alguns meses teve a ideia de fazer um código impresso no papel, por meio de marcações em preto, que poderiam ser lidas por um sensor de luz. As barras eram linhas circulares concêntricas que ficaram conhecidas como bull’s eyes (no sentido de  "mosca”, o centro do alvo).

Três anos depois, Silver e Woodland construíram o primeiro leitor de código de barras. Ele tinha o tamanho de uma cadeira e precisava ser enrolado em um pano preto para evitar que a luz do ambiente estragasse a brincadeira. Na época, Woodland trabalhava na IBM e a empresa se ofereceu várias vezes para comprar a patente, mas a dupla resistiu. Em 1962, a Philco ofereceu um valor irrecusável e eles venderam a ideia. Depois, revendeu a patente para a RCA, que se juntou a várias indústrias para estabelecer regras de padronização. No ano seguinte a RCA fez a primeira demonstração pública de seu bull’s eye, mas o sistema tinha problemas na leitura.

A IBM, que tinha em sua equipe Woodland, resolveu tentar desenvolver um novo sistema. Daí saiu o Código de Produto Universal, com as linhas verticais. No dia 26 de junho de 1974, às 8h01, o código de barras de uma caixa de chicletes foi escaneado pela primeira vez em um supermercado da cadeia americana Marsh’s em Troy, Ohio. A caixa pode ser vista até hoje, no Museu de História Americana de Washington.