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Como foram feitas as pirâmides egípcias?

Questão que sempre levantou teorias da conspiração, a construção das pirâmides do Egito não foi tão complicada assim

Vitor Lima Publicado em 11/10/2019, às 06h00

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- Wikimedia Commons

O fato de que a construção das pirâmides egípcias é de difícil explicação torna-se um prato cheio para teorias conspiratórias. Na época de construção da Grande Pirâmide de Gizé (2.560 a.C.), os egípcios não utilizavam locomoção com rodas para ajudar no encaixe de blocos com até 10 toneladas uns sobre os outros.

E ainda assim a coisa foi feita, parou em pé e foi o mais alto prédio do mundo por 3.800 anos, até a construção da Catedral de Lincoln, na Inglaterra. Como, afinal, isso foi possível? 

A tecnologia que deu origem às pirâmides é muito antiga, e o primeiro idealizador conhecido desses monumentos é o arquiteto Imhotep, que fez a mais antiga de todas, a de Djoser (2648 a.C.). Antes dela, os faraós eram enterrados nas mastabas, tumbas subterrâneas cobertas por pilhas retangulares de blocos e com paredes inclinadas, que continuaram a ser usadas ao longo de milênios por egípcios que não pertenciam à realeza.

Imhotep simplesmente pensou em construir uma mastaba pequena sobre uma grande, depois uma menor ainda sobre essa, criando seis camadas, num edifício com impressionantes 62 metros de altura e 125 de largura. Ela sobrevive até hoje.

Pirâmide de Djoser, a mais antiga do Egito / Crédito: Wikimedia Commons

 

A ideia foi reproduzida pelos sucessores de Djoser, Sekhmet (2645 a.C) e o misterioso dono de uma pirâmide conhecida como "estratificada", de meados de 2630 a.C.

No reinado de Snefru (2613-2589 a.C.), uma inovação foi feita: a pirâmide lisa, ou verdadeira. Uma parede única inclinada era construída de cima a baixo e coberta por calcário polido, que fornecia um aspecto branco e brilhante à obra. A construção de calcário desabou com os anos, sobrando apenas o esqueleto que é visto hoje em dia.

Snefru gostava tanto de pirâmides que ordenou a construção de pelo menos três delas. E essa paixão pelas pirâmides passou à próxima geração: seu filho Khufu, que reinou entre 2551 e 2528 a.C, decidir criar a maior de todas, que jamais seria superada. E hoje em dia conhecemos esse faraó não por seu nome egípcio, mas pela maneira como os gregos o pronunciavam dois mil anos atrás: Quéops.

Pertencente às Sete Maravilhas do Mundo Antigo, a Pirâmide de Quéops é o monumento mais massivo construído pelo ser humano / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nunca foram encontrados registros exatos sobre a construção das pirâmides, mas podemos entrever algumas indicações. De onde o material veio não há mistério: as pedreiras do complexo das grandes pirâmides foram encontradas a pouco mais de 100 metros delas. Numa distância igualmente curta, canais ligados ao Nilo traziam outros materiais e suprimentos. 

A questão sobre como as pedras foram para lá é considerada respondida pela maioria dos historiadores por meio de uma dica deixada alguns séculos depois: a tumba do governador Djehutihotep (1900 a.C.) mostra uma estátua colossal sendo arrastada por 172 trabalhadores.

Em frente ao caminho, alguns deles jogam água para facilitar o deslizamento. O arqueólogo experimental Denys Allen Stocks calculou que meros oito trabalhadores seriam necessários para puxar um bloco médio de 2,5 toneladas com um trenó.

Porém, como tais materiais foram içados a mais de 100 metros de altura? A resposta mais aceita para esse mistério vem dos escritos de um historiador grego do século 1 a.C. Diodoro Sículo acreditava que as pedras eram levadas através de rampas de areia, construídas paulatinamente conforme a pirâmide aumentava. O formato exato das rampas – se eram retas ou faziam um zigue-zague em torno do monumento – ainda é aberto a interpretações.


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