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Como seria se Trotsky tivesse assumido o posto de Lenin?

Na mais famosa disputa política do século 20, Stalin assumiu o poder e criou uma ditadura. Mas o que aconteceria se a URSS assumisse o plano da Revolução Permanente?

André Nogueira Publicado em 08/09/2019, às 08h00

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Imaginar um mundo alternativo não é papel da História, no entanto, representa um exercício divertido. Se considerarmos a História da Humanidade, um fluxo flexível de acontecimentos moldáveis, e não o estabelecimento rígido de condições únicas de realidades, como dita o dogma marxista, podemos pensar o desencadeamento histórico em suas outras possibilidades. E uma delas é clássica: o que teria acontecido se Trotsky tivesse sucedido Lenin no lugar de Stalin?

Imagine o cenário: 1924. O líder bolchevique Lenin morreu, abrindo espaço para uma disputa pelo poder. Zinoviev e Kamenev nunca foram páreos para os dois grandes nomes laterais ao velho Ulianov. Trotsky, o líder do Exército Vermelho, era o mais cotado para assumir o comissariado-geral. No entanto, acabou perdendo espaço para o herói da revolução, Joseph Stalin.

Mas imagine que o compromisso de Lenin prosseguiu e Leon Trotsky realmente assumiu a liderança da URSS. O plano do socialismo num único país vai aos ares, substituído pela famosa Revolução Permanente.

Leon Trotsky / Crédito: Reprodução

 

É o que pensa o professor Osvaldo Coggiola, pesquisador do Departamento de História da USP, que afirma que o mundo não poderia ser o mesmo com Trotsky comandando o mundo comunista.

Essa mudança é embrionada na tentativa revolucionária comunista que ocorreu na Alemanha, em 1923: posta a prova a diferença estratégica entre o trotskismo e o stalinismo, a defesa de Trotsky de uma tomada de poder imediata não prosseguiu, resultando na derrota do levante e a abertura de espaço para o nazismo. Enquanto isso, a social-democracia alemã apoiada por Stalin conseguiu compactuar com o socialismo soviético.

Mas se a URSS tivesse investido na revolução alemã, enquanto liderada por Trotsky, acabaria saindo vitoriosa e a Alemanha (maior polo industrial da época) se uniria à a antiga União Soviética, formando, provavelmente, o mais avançado país do mundo. Isso poderia proporcionar levantes proletários eclodindo pelo mundo e, com a crise de 1929, possivelmente o socialismo varreria a Europa.

Com isso, mudaria-se todo o equilíbrio do mundo. Sem as Guerras como aconteceram e com o suporte econômico europeu de pé, os EUA provavelmente nunca conseguiriam atingir o status atual, deixando de ser a maior potência econômica do século 20.

Os laços entre China e URSS seria muito mais estreitos / Crédito: Domínio Público

 

Diante deste cenário, o capitalismo se reduziria a um sistema local nos EUA, Japão e, de maneira precária e colonial, America Latina. A África entraria numa disputa sangrenta, como realmente aconteceu na época das descolonizações. Japão e China travariam disputas territoriais e tecnológicas pelo Pacífico.

Se Trotsky não encabeçasse outro regime ditatorial de eliminação dos concorrentes, como fez Stalin, seria provável que, com sua morte, stalinistas assumissem e freassem a agressividade internacional da URSS, focando mais no desenvolvimento interno do país.

Muro de Berlim, Gorbachev, Guerra do Afeganistão e o colapso do Socialismo Real nos anos 1990 provavelmente não aconteceriam e o mundo de hoje seria diferente.