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A história da fotografia como nunca “retratada” antes

O fotógrafo Frederico Gomes detalha os momentos mais relevantes dessa história e explica como este processo de capturar uma imagem é algo mais antigo do que se imagina

Redação Publicado em 06/04/2021, às 18h01

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de Dariusz Sankowski por Pixabay

Em pleno século XXI, um hábito que se tornou muito comum foi o de registrar imagens com um smartphone.

Com tamanha simplicidade, é possível ter em poucos minutos uma infinidade de fotografias guardadas na memória de um dispositivo eletrônico pronta para serem compartilhadas com outras pessoas ou simplesmente arquivadas para serem publicadas nas mais diversas redes sociais.

Por outro lado, nem sempre este procedimento de capturar uma imagem foi algo fácil. Antes de mais nada, como explica o fotógrafo e apaixonado pela história da fotografia, Frederico Gomes, “a origem etimológica da palavra ‘fotografia’ vem do grego e significa ‘gravar com luz’: ‘foto’ (luz) e ‘graphein’ (escrever,gravar)”.

Além disso, as primeiras experiências fotográficas de químicos e alquimistas datam de cerca 350 a.C. Todavia, “foi em meados do século X que o árabe Alhaken de Basora percebeu a natureza das imagens que se projetavam no interior de sua tenda trespassada pela luz solar”. Tal fato foi essencial para se entender todo o mecanismo de registrar uma imagem.

Em 1525, a sociedade já dominava a técnica de escurecimento dos sais de prata. No ano de 1604, o químico italiano Ângelo Sala (1576-1637) já sabia que alguns compostos de prata oxidavam quando expostos à luz do Sol. “Por sua vez, o farmacêutico sueco Carl Wilhelm Scheele (1742-1786) viria a corroborar esta descoberta em 1777, ao demonstrar o enegrecimento de sais expostos à ação da luz”, reforça Gomes.

Pouco tempo depois, no ano de 1725, “o cientista alemão Johann Henrich Schulze (1687-1744) conseguiu projetar uma imagem durável numa superfície. Algum tempo adiante, o químico britânico Thomas Wedgwood (1771-1805) realizou no início do século XIX experimentos semelhantes”.

Em cada uma destas oportunidades, Frederico Gomes lembra que somadas foram permitindo estudar mais sobre os assuntos e, consequentemente, descobrir novas técnicas que deram essa origem à fotografia como se conhece atualmente.

Como foi a chegada da fotografia no Brasil?

O fotógrafo Frederico Gomes conta que “a chegada da fotografia no Brasil aconteceu pelas mãos de Hercule Florence. Pintor e naturalista francês, ele se mudou para cá em 1824 e, assim, depois de realizar uma série de testes e experimentos conseguiu, em 1832, registrar uma cena”, detalha. “Para conseguir este objetivo, ele Para tanto, utilizou uma câmera escura e inseriu no equipamento uma chapa de vidro. Para imprimir o retrato, fez uso de um papel sensibilizado”, conta.

Ele lembra que “esse fato é muito relevante, pois os livros e a própria Internet informam que o nascimento da fotografia aconteceu apenas após o surgimento do daguerreótipo. E não foi no Brasil, mas sim na França, sendo fruto da invenção de Louis Daguerre em 1837, ou seja, cinco anos depois da descoberta de Hercule Florence por aqui”. Dois anos depois, a descoberta de Louis Daguerre foi divulgada publicamente na Academia Francesa de Ciências, mesmo ano em que o aparelho chegou ao Brasil.

A fotografia nos dias de hoje

Na virada do século XXI, com o advento da tecnologia digital, o universo da fotografia sofreu transformações significativas. “As máquinas fotográficas analógicas cederam espaço para as inovações digitais, que causaram uma verdadeira revolução na fotografia que vão desde a forma de registro até a veiculação e tratamento das imagens”, reforça Frederico.

Além disso, o fotógrafo ressalta que “as inovações proporcionaram o surgimento de equipamentos cada vez mais sofisticados, com mais recursos, simplicidade de uso e muito mais qualidade na captação das imagens”.

“Vale lembrar que hoje em dia, é possível fazer registros fotográficos de altíssimo nível com equipamentos acessíveis ou até mesmo com a câmera do celular, até por quem nunca fez um curso de fotografia”, finaliza.