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No Dia do Folclore, conheça a versão macabra de 5 personagens da cultura popular

Da Iara ao Saci: essas criaturas tiveram suas histórias distorcidas para fazerem parte da literatura infantil

Isabela Barreiros e André Nogueira Publicado em 22/08/2019, às 12h00

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1. Saci-pererê

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O escritor Monteiro Lobato publicou, em 1918, o primeiro o livro a tratar da lenda do personagem: O Saci-Pererê. Resultado de um Inquérito, que reúne uma série de depoimentos populares para a construção da narrativa do saci, um dos nomes mais famosos do folclore brasileiro. A publicação foi redigida a partir de respostas dos leitores do Estadinho, suplemento do jornal O Estado de S. Paulo, no qual ele era editor.

Além disso, na época, o personagem era descrito como uma criatura com grandes chifres e dentes pontudos que serviriam para sugar o sangue de cavalos que passassem por perto. Ele não era muito amigável — se alguém o ofendesse, seria morto com cócegas ou a porretadas.

2. Boitatá

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A origem do boitatá pode ser encontrada na cultura do povo indígena tupi-guarani, no entanto, a criatura foi citada de forma escrita apenas em 1560, num texto do padre jesuíta José de Anchieta. O bicho é retratado como uma grande cobra de fogo que vive dentro de rios e lagos e sai apenas para assombrar pessoas que incendiassem as matas — essas pessoas poderiam morrer, ficar cegas ou enlouquecer.

As lendas também dizem que o boitatá se rasteja durante a noite pela floresta porque é uma alma penada que deve pagar pelos seus pecados, neste corpo, protegendo a floresta.

3. Cuca

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Em O Sítio do Pica-Pau Amarelo, a Cuca é um grande jacaré, e também uma bruxa, que aterroriza e planeja transformar as crianças da região em pedras. Antes disso, ela já existia no folclore brasileiro como uma velha assustadora que só dormia a cada sete anos e capturava meninos e meninas para colocá-los em um saco.

Seu nome pode ser explicado de duas maneiras. Uma como Coca, o dragão que São Jorge derrotou, e como a entidade maligna Coco, que, posteriormente, daria nome à fruta.

Na história do soldado romano, a criatura vivia em um pântano e era acalmada com duas ovelhas por dia – ou sacrifício humano definido por sorteio. Já em algumas lendas portuguesas, o Coco é um fantasma com cabeça de caveira e se tornou uma figura destinada a aterrorizar crianças até a obediência – o famoso bicho-papão.

4. Iara

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A mãe d’água é uma história clássica da mitologia guarani, que possui versões diferentes transmitidas oralmente. Inclusive, em algumas delas, Iara chama Ipupiara é vista como homem. Mas, de maneira geral, a história da sereia é contada como a de uma moça meio-peixe que era uma grande guerreira que gerou inveja entre os irmãos, que tentam assassiná-la, falham e são mortos por ela. Como punição, Iara é lançada ao rio, onde os peixes a levam até a superfície e transformam seu corpo no seu formato conhecido.

Em tempos coloniais, a história sofreu sincretismo com os mitos sobre sereias, fazendo com que sua figura fosse relacionada à morte de navegadores que eram seduzidos pela criatura. No entanto, hoje em dia, a figura de Iara está menos associada a maldições e ligada principalmente à proteção das águas.

5. Boto-cor-de-rosa

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Esse mito é tradicional do Norte e Centro-Oeste, onde há grandes fluxos de rios. Provavelmente sua origem está na colonização, como justificativa para o nascimento de crianças cor-de-rosa entre índios (que seriam fruto de relações com brancos europeus).  A versão conhecida dessa lenda é: um boto vive nos rios da Amazônia e a noite se transforma em um homem que sai por ai conquistando e engravidando mulheres.

No entanto, existem versões mais macabras do mito, que contam momentos em que, ao galantear mulheres alheias, o animal acaba levando tiros, facadas e socos dos traídos. Nessa lenda, quando o enganado abre a cabeça da criatura, sente um forte cheiro de cachaça.