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A história do marca-passo: Um aparelho que transformou o mundo da cardiologia

Criado no início do século 20, o marca-passo transformou tudo que se diz respeito à cardiologia

Redação Publicado em 18/03/2021, às 10h25

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Imagem ilustrativa - Imagem de Ulrike Leone por Pixabay

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 30% das mortes registradas anualmente no Brasil. Aliás, os números poderiam ser muito maiores e só não o são graças a um pequeno aparelho que faz a diferença para estes pacientes: o marca-passo.

Antes do surgimento deste aparelho, várias pacientes que sofriam de problemas cardíacos precisam de uma estimulação elétrica de modo artificial para ter êxito em seus tratamentos. Porém, tal medida afetava a capacidade de batimento do coração, o que não dava um tratamento totalmente eficaz para um cardiopata.

Diante desse procedimento, era comum que os pacientes ficassem com bloqueios graves no coração, o que, conforme lembra o médico Dr. Roberto Yano, afetava diretamente a qualidade de vida do paciente.

“Quando tinha estes problemas cardíacos, era inevitável, mas a pessoa tinha que aprender a conviver com sintomas de baixo débito cardíaco, como cansaço, tontura, desmaios, falta de ar, e isso levava até à morte”, detalha.

Com o marca-passo, tudo mudou. “Essa invenção revolucionou a medicina, pois os pacientes com batimentos lentos decorrentes de bloqueios graves na corrente elétrica cardíaca, simplesmente não sobreviviam. Aqueles que não morriam, passavam a ter sintomas muito limitantes além de qualidade de vida muito ruim. Existem casos de pessoas que ganharam mais de 60 anos de sobrevida por implantar o marca-passo em tempo hábil”, analisa o cardiologista.   

Mas, para compreender a maneira que este aparelho revolucionou a medicina, é preciso primeiramente entender como ele funciona. O Dr. Roberto Yano conta que o coração, para se contrair, precisa de correntes elétricas produzidas pelas células do coração para estimular o batimento cardíaco. Vale lembrar que elas estão localizadas em pontos estratégicos do coração como o nó sinusal e o nó atrioventricular.

Mas, o problema existe quando a pessoa é portadora de doenças que afetam diretamente o coração, como o infarto, insuficiência cardíaca, Doença de Chagas. Porém, o Dr. Roberto lembra que até o próprio envelhecimento da pessoa pode ser um agravante, pois, com o passar do tempo, “essas células que produzem as correntes elétricas ficam doentes”, lembra.

Além disso, “quando o sistema de condução está doente, ocorre diminuição da frequência cardíaca desse paciente e ele passa a ter sintomas. Existem casos em que os bloqueios ou falhas são tão graves que necessitam de implante de marca-passo de imediato ou o paciente vai a óbito”, detalha o cardiologista.

É nessas horas que o marca-passo entra em ação. O pequeno aparelho atua para monitorar e identificar batimentos irregulares, lentos ou até mesmo pausas.

“Se o aparelho for programado para estimular a partir de 70bpm e seu coração estiver batendo ritmicamente a 80bpm, o marca-passo identifica como batimentos normais e não age estimulando. Quando o ritmo fica abaixo de 70bpm, ou seja, abaixo da frequência cardíaca programada, o aparelho entende que precisa agir e libera estímulos elétricos ao coração”, reforça o médico.

Classes

Outro detalhe fundamental é que o uso do marca-passo deve ser avaliado se encaixa em algumas circunstâncias, que o Dr. Roberto classifica como classes: “As indicações clássicas são para a doença do nó sinusal, bloqueios atrioventriculares que ocorrem no feixe de his ou abaixo dele, por exemplo, os bloqueios de 2° grau do tipo II e bloqueios átrio-ventriculares totais”.

Há também os casos de pacientes portadores de, lembra o cardiologista, “hipersensibilidade do seio carotídeo ou síncope neurocardiogênica em que o marca-passo também pode ser indicado, assim como também é recomendado para pacientes com bradicardia e estão sintomáticos. Afinal, ainda não existem medicamentos eficazes para que se aumente a frequência do coração”, completa Dr. Roberto. 


Linha do tempo do marca-passo 

1932: Albert Hyman criou o primeiro marca-passo artificial da história. O aparelho foi colocado em um portador de bloqueio cardíaco e consistia em um equipamento que produzia energia por manivelas e estimulava o coração. Devido ao peso da invenção, cerca de 7 quilos, ele ficava localizado fora do peito, afinal, até então não era possível implantá-lo.  

1958: Foi neste ano em que o marca-passo foi colocado dentro do corpo pela primeira vez. O procedimento foi realizado por Ake Senning, na Suécia. O marca-passo dessa época era composto por uma grande bateria, que durou apenas uma semana no corpo do paciente. O gerador fora alocado no abdômen do paciente.  

1960 e 1970: É a época da chegada do marca-passo ao Brasil. As primeiras cirurgias para colocar o aparelho foram feitas pelos cardiologistas Décio Kormann e Adib Jatene. 

1970: O aparelho, até então bem grande em termos de tamanho, começou a ter suas dimensões diminuídas e vida útil aumentada devido aos avanços da medicina. 

Dias atuais: O século XXI chegou com transformações no tamanho, formato e atividade do aparelho. Agora eles já fazem telemetria por radiofrequência. Tal tecnologia permite comunicação sem fio e segura entre o dispositivo implantado e o programador utilizado pelo médico.