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Futuro promissor: Como seria se Robert F. Kennedy não tivesse sido assassinado?

Qual seria o destino da diplomacia norte-americana caso RFK tivesse se tornado o segundo da família a assumir a presidência?

Antônio de Freitas Neto Publicado em 06/02/2020, às 11h40 - Atualizado em 05/06/2021, às 10h00

Fotografia de Robert F. Kennedy durante discurso
Fotografia de Robert F. Kennedy durante discurso - Getty Images

Vindos de duas famílias tradicionalmente irlandesas, os Kennedy eram profundamente ligados na política norte-americana. O pai de John e Robert Kennedy, por exemplo, era um mebro ativo do Partido Democrático e passava seus ideiais para os filhos.

Com o passar dos anos, contudo, a história da família foi marcada por fatalidades ireeversíveis. A mais grave delas aconteceu em novembro de 1963, quando o então presidente norte-americano John F. Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas.

A tragédia transformou seu irmão mais novo, Robert, no virtual sucessor da dinastia política do clã. Bob elegeu-se senador pelo estado de Nova York em 1964 e, quatro anos mais tarde, era favorito à vaga dos democratas nas eleições presidenciais.

Fotografia de John, Robert e Ted Kennedy / Crédito: Senado dos Estados Unidos/Creative Commons/Wikimedia Commons

 

Planos frustrados 

Na noite de 5 de junho de 1968, contudo, Bobby Kennedy comemorava a vitória nas eleições primárias da Califórnia quando foi assassinado, vítima de dois tiros fatais na cabeça, disparados por Sirhan Bishara Sirhan. O presidenciável morreu no dia seguinte.

Para o historiador Roberto Buzzanco, da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, contudo, muita gente acreditava que Bobby, como era chamado, seria eleito para a presidência. “Ele era um dos políticos mais populares no final dos anos 1960”, afirma.

Segundo o pesquisador Gunther Rudzit, do Núcleo de Políticas e Estratégia da Universidade de São Paulo (USP), também não existem dúvidas de que Bobby seria eleito presidente. “Robert tinha herdado a mística do irmão”, narrou o especialista. Mas como, afinal de contas, seria o governo de Robert F. Kennedy caso ele não fosse assassinado?

Fotografia de Bobby Kennedy / Crédito: Biblioteca John F. Kennedy/ Creative Commons/Wikimedia Commons

 

Um mundo distante

O último discurso de Robert traz algumas pistas. “Podemos acabar com as diferenças nos Estados Unidos, sejam elas entre brancos e negros, entre os pobres e os ricos. Somos um grande país, altruísta e clemente”, disse o político, poucas horas antes de ser morto.

Kennedy tinha o apoio de negros, latinos, jovens e outros grupos que estavam fora do centro de poder”, diz Buzzanco. Para o presidenciável, encerrar a guerra significaria olocar um fim nas divisões sociais. Isso porque Bobby era um notório defensor dos direitos civis e, portanto, podemos imaginar um governo mais atento às políticas sociais.

“Entre seus assessores estavam alguns dos principais idealizadores das políticas afirmativas que surgiriam só na década de 1980”, diz Arthur Meier Schlesinger Jr., um historiador americano, autor de 'Robert Kennedy and His Time'.

Fotografia de Bobby Kennedy em comício / Crédito: Biblioteca John F. Kennedy/ Creative Commons/Wikimedia Commons

 

Universos distintos

Uma das primeiras escolhas polêmicas e decisivas para Robert Kennedy seria a permanência ou a retirada das tropas americanas no Vietnã. Em 1969, a opinião pública estava dividida. Porém, se cumprisse o que prometeu em campanha, é provável que o mais novo presidente encerrasse a guerra muito antes do que foi feito.

“Ele era contrário à presença do Vietnã e em seus discursos disse, mais de uma vez, que os Estados Unidos já haviam cumprido seu papel para deter o efeito dominó do comunismo na Ásia”, afirma Meier. Ele calcula que, se os EUA saíssem da guerra em 1969, quase 20 mil soldados americanos teriam sobrevivido.

Até 1973, quando o então presidente Richard Nixon, enfim, ordenou a retirada, 56 mil americanos morreram e mais de 300 mil voltaram para casa mutilados. Do lado vietnamita, as mortes chegaram a 2 milhões de pessoas.

Plateia lotou no Ambassador Hotel no anúncio da vitória de Robert nas eleições primárias / Crédito: Getty Images

 

Um mundo que não foi

As relações do possível segundo presidente Kennedy com a América Latina não seriam muito diferentes. Segundo Buzzanco, Bobby era favorável à política externa de seu irmão, que apoiou regimes autoritários. “John sustentou golpes que derrubaram governos acusados de antiamericanos, como o do Brasil”, explica o historiador.

O pesquisador Gunther Redzit, no entanto, acredita que a eleição de Kennedy teria antecipado mudanças na diplomacia internacional norte-americana que só chegaram com Jimmy Carter, no final dos anos 1970. “É possível que as ditaduras latino-americanas tivessem vida bem mais curta”, afirma o especialista.

Ainda mais, para Eduardo Viola, cientista político e professor da Universidade de Brasília, as diferenças entre Estados Unidos e a antiga União Soviética teriam sido atenuadas com Kennedy. “O que talvez desse mais fôlego ao comunismo russo. Mas não temos como investigar se, com isso, ele teria conseguido superar a crise dos anos 1980 e sobrevivido até hoje”, diz o estudioso. Se tivesse, Robert F. Kennedy já teria cerca de 96 anos.


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