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A farsa do Gigante de Cardiff, o enorme homem petrificado de quase 3 metros

A descoberta foi encarada por muitos como uma prova bíblica e chegou a enganar pouco mais de 2.500 pessoas em apenas uma semana

Daniela Bazi Publicado em 05/10/2020, às 15h12

O Gigante de Cardiff
O Gigante de Cardiff - Biblioteca Nacional

No dia 16 de outubro de 1869, dois trabalhadores chamados Gideon Emmons e Henry Nichols descobriram um enorme pé de pedra, que fazia parte de um corpo com aproximadamente 3 metros de altura, enquanto escavavam uma terra na cidade de Cardiff, no interior de Nova York, que fazia parte da propriedade de William Newell

O proprietário declarou o gigante como uma importante descoberta, e acabou montando um sistema de visita, em que todos poderiam ver o enorme homem de pedra por 25 centavos. Após dois dias, a procura começou a se tornar cada vez maior e o valor foi aumentado para 50 centavos.

Inúmeras pessoas que moravam perto da região ficaram interessadas em vê-lo pessoalmente, abandonando seus trabalhos e juntando toda sua família apenas para conferir a nova maravilha. As manchetes dos jornais da cidade eram dominadas pelo apelidado Gigante de Cardiff, que, apenas na primeira semana, chegou a reunir cerca de 2.500 pessoas. 

Exumação do Gigante de Cardiff / Crédito: Wikimedia Commons

 

Muitos moradores passaram a acreditar que a descoberta se tratava de um enorme homem bíblico petrificado que havia sido preservado há milhares de anos, devido ao fato de que Cardiff era um local com um grande número de descoberta de fósseis. 

Um pastor da cidade de Syracuse, teria afirmado na época que o Gigante de Cardiff era uma prova das passagens bíblicas, dizendo que “não é estranho que qualquer ser humano, depois de ver essa figura maravilhosamente preservada, possa negar a evidência de seus sentidos. E se recusa a acreditar no que é tão evidente que temos aqui um ser humano fossilizado, talvez um dos gigantes mencionados nas Escrituras?”.

Em contrapartida, o responsável pela Universidade Cornell teria dito que todos aqueles no qual acreditavam na teoria de que o gigante seria alguém da Bíblia, estaria agindo ao contrário de todas as razões científicas. Já um professor de ciências, também de Syracuse, teria criado a teoria de que o homem seria uma estátua esculpida por jesuítas franceses há alguns séculos.

Gigante de Cardiff em exposição nos Estados Unidos / Crédito: Wikimedia Commons

 

A nova suposição acabou atraindo a atenção de James Hall,  geólogo do estado de Nova York, que o chamou de "o objeto mais notável já trazido à luz em nosso país". Consequentemente, acabou se descobrindo que tudo não passava de uma grande farsa. 

George Hull, parente de William, o dono da terra onde o Gigante de Cardiff foi descoberto, teria criado a estátua na década de 1860, após discutir com um pastor que defendia fervorosamente a passagem da Bíblia onde dizia que gigantes realmente habitaram a Terra durante aquela época. Com o fim da discussão, Hull teria dito: "De repente, pensei em fazer um gigante de pedra e transmiti-lo como um homem petrificado".

A grande farsa

Toda a mentira teria começado no estado de Iowa, quando George comprou um enorme bloco de gesso afirmando que ele se tornaria um futuro monumento em homenagem ao presidente americano Abraham Lincoln. Logo após, ele teria enviado o material para Chicago, onde um cortador de pedras alemão teria dado vida ao gigante. 

Com a obra já pronta, ela foi enviada para Cardiff, onde Hull e Newell a enterraram no mês de novembro de 1868. Pouco menos de um ano depois, o dono da propriedade mandou que dois homens cavassem um poço no lugar onde o suposto homem petrificado estava enterrado, sem que eles soubessem de nada. 

Gigante de Cardiff / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após algumas semanas, ambos conseguiram lucrar o equivalente a uma pequena fortuna na época. Hull chegou a gastar cerca de 3 mil dólares para criar o Gigante de Cardiff, mas acabou recebendo 30 mil de empresários que se ofereceram para uma participação. 

Com a fama da estátua, inúmeras cópias passaram a aparecer. O artista PT Barnum, após ter sua oferta de 50 mil dólares pelo gigante recusada, acabou contratando um escultor para a criação de sua própria réplica, que acabou sendo exposta em seu museu na cidade de Manhattan. Do lado de fora do estabelecimento, pessoas gritavam “O que é isso? É uma estátua? É uma petrificação? É uma fraude estupenda?”.

Em pouco tempo, novos Gigantes de Cardiff passaram a surgir em todo o país. O Inquérito da Filadélfia resumiu a nova onda como "É bastante rico que sejamos vítimas de uma fraude contra uma fraude".

Apesar de toda a revelação, a procura pela estátua continuava grande. Em 1901 ela passou a ser exibida na Exposição Pan-Americana, mas acabou sendo vendida para uma editora em Iowa, e se encontra em exposição desde 1947 no Museu dos Fazendeiros de Cooperstown, onde ainda recebe visitações.


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