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Com 4 000 anos, guarda-chuva só foi aceito por homens no século 19: era coisa de menina

4 milênios foram necessários para o invento super útil superar preconceitos

terça 21 agosto, 2018
Entenda
Entenda Foto:Reprodução

Proteger-se da chuva demorou a ser um assunto importante. Diante de uma tempestade, corria-se para casa ou para dentro de um veículo, improvisava-se com uma folha ou peça de roupa, aguentava-se debaixo do próprio chapéu, ou simplesmente se assumia o destino.

E foi assim por muito tempo após o acessório guarda-chuva ter sido tecnicamente inventado. A sombrinha data de 4 mil anos atrás. Usada por nobres chineses, e feita de madeira, bambu e tecido, protegia contra a luz solar. Evitar o sol era importante por causa da valorização da pele clara na cultura chinesa – o bronzeado é visto como resultado do trabalho braçal degradante.

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Um dos primeiros guarda-chuvas da história é representado por um guerreiro do Exército de Terracota Wikimedia Commons

Segundo a escritora e pesquisadora Marion Rankine, no livro Brolliology: A History of the Umbrella in Life and Literature (“Broliologia: Uma História do Guarda-Chuva na Vida e na Literatura”), já no segundo milênio a.C. a sombrinha se fazia presente entre outros povos, como os egípcios e assírios. Feita com folhas de árvores, penas ou couro, protegia reis e sacerdotes. Os gregos também tinham objeto parecido, de tecido decorado com ouro e marfim, usado só por mulheres e homens da elite – e carregado por um escravo.

A pintura de Anthonis van Dyck, mostra um escravo carregando um guarda-chuva Wikimedia Commons

De acordo com Rankine, não se sabe quando a sombrinha virou guarda-chuva, mas é provável que tenha sido no fim do século 16, quando o objeto ficou popular no Ocidente. Com o clima frio e chuvoso do norte da Europa, foi adaptado à realidade local. No século 17, feito de seda e impermeabilizado com cera, era visto, principalmente, com mulheres da classe alta – caro, indicava status.

Fiel companheiro 

Mas muitos – principalmente os homens – não compraram a ideia. Carregar um guarda chuva, sem certeza do uso, parecia ridículo e inútil. Jornais ou pastas bastavam para cobrir a cabeça. Isso sem falar de gorros e chapéus. E sempre restava a opção de procurar abrigo ou não sair de casa. E havia um fator social nessa falta de sucesso: no século 18, parte da classe alta via o guarda-chuva como um rebaixamento, sinal de falta de meio de condução, de uma carruagem ou, bem típico aqui no Brasil, de uma liteira – os cocheiros ou escravos que se molhassem.

Até que, por volta de 1750, o escritor britânico Jonas Hanway fez do objeto seu fiel companheiro. Mesmo ridicularizado por muitos, popularizou o uso entre os homens, que, aos poucos, passaram a ver ali um acessório digno de um gentleman.

Em 1830 foi aberta a primeira loja de guarda-chuvas, a James Smith & Sons, que segue no mesmo endereço londrino. Depois disso, vieram versões mais baratas, e inovações, como opções em aço, em 1852, e a versão compacta, em 1928.

Letícia Yazbek


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