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Há 54 anos, John Lennon declarava que os Beatles eram mais famosos que Jesus

A fala causou reações raivosas nos Estados Unidos, onde álbuns foram queimados publicamente, rádios pararam de tocá-los e a Klu Klux Klan se manifestou contra a banda

Isabela Barreiros Publicado em 03/03/2020, às 08h00

Os Beatles em julho de 1964
Os Beatles em julho de 1964 - Getty Images

“O cristianismo irá embora. Vai desaparecer e encolher. Eu não preciso discutir sobre isso; eu estou certo e ficará provado que estou certo. Somos mais populares que Jesus agora. Eu não sei quem vai acabar primeiro, o rock'n'roll ou o cristianismo. Jesus era legal, mas seus discípulos são grossos e medíocres. São eles distorcendo isso o que estraga, pra mim”, afirmou John Lennon em 1966.

A polêmica declaração fazia parte de uma entrevista feita pelo jornal britânico London Evening Standard. Na reportagem, a jornalista Maureen Cleave escreveu perfis individuais sobre cada um dos quatro Beatles, levando o título de “Como vive um Beatle?”, no intuito de expor aos fãs o cotidiano dos integrantes da famosa banda.

A edição foi publicada no dia 4 de março de 1966, mas não trouxe a fatídica afirmação em destaque, muito menos foi evidenciada pela imprensa britânica. Foi apenas quando republicada nos Estados Unidos que a frase causou reações controversas e raivosas do público, principalmente, cristão.

Em julho, com a difusão da polêmica publicada em evidência pela revista Datebook, protestos foram organizados no cinturão bíblico dos EUA, nome dado à região sudeste dos EUA, onde a religião protestante é mais difundida e praticada no país.

Durante essas passeatas, muitas pessoas queimaram publicamente seus discos dos Beatles e até mesmo a Ku Klux Klan participou de algumas das manifestações, demonstrando seu desapontamento com uma das maiores bandas do mundo na época.

Disco dos Beatles sendo queimado nos EUA / Crédito: WIkimedia Commons

 

Além disso, as rádios locais também passaram a rechaçar os Beatles, deixando de tocar suas músicas durante muito tempo. Coletivas de imprensa foram canceladas e jornais da região se negaram a entrevistar o artista. Ameaças de grupos cristãos começaram a fazer parte da trajetória dos Beatles pelo país.

Naquele ano, a banda estava realizando uma turnê em quase todo os Estados Unidos. A afirmação fez com que último lançamento dos Beatles, o sétimo álbum Revolver fosse ofuscado durante o período, exatamente porque eles estavam sendo quase sabotados pela imprensa estadunidense mais conservadora.

Meses depois da declaração, Lennon resolveu se posicionar publicamente e se defender de quem o acusava de comparação com Jesus Cristo.

"Se tivesse dito que a televisão era mais popular do que Jesus, ninguém teria ligado. Eu só usei o termo 'Beatles' para exemplificar. Meu comentário se referia ao que acontece na Inglaterra. Lá somos mais influentes para os jovens do que a religião. Não era minha intenção ofender, mas é um fato. Não quis comparar Jesus Cristo a uma pessoa, nem nada do tipo. Fui mal interpretado", alegou em uma entrevista coletiva realizada na cidade de Chicago.

Crédito: Getty Images

 

Em 2010, o jornal diário — e oficial — do Vaticano, o L'Osservatore Romano, aproveitou os 40 anos do término da banda de rock para homenageá-los e “perdoá-los” pela fala controversa do Beatle. No artigo, eles relembram o evento como algo negativo, mas que deve ser superado pelos cristãos.

"É verdade, eles usavam drogas e se deixavam levar pelo sucesso. Eles até chegaram a dizer que eram mais populares que Jesus. Mas, ouvindo suas músicas, tudo isso parece distante e insignificante”, lia-se na publicação.

Lennon não pôde responder a tal perdão da Igreja Católica, mas Ringo Starr não deixou o comentário passar em branco. Em entrevista à CNN, afirmou: "o Vaticano não disse que nós éramos satânicos? E ainda assim perdoam a gente. Eu acho que eles têm coisas mais importantes a dizer além dos Beatles”.


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