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Vibrador surgiu para curar a “histeria”

O vibrador elétrico aliviou os médicos de um trabalho duro

quarta 31 outubro, 2018
O episódio foi encenado no filme Hysteria, de 2011
O episódio foi encenado no filme Hysteria, de 2011 Foto:Reprodução / Imagem Filmes

Estamos no final do século 19 e o médico está atendendo uma paciente. Ela se queixa de ansiedade e depressão. Diagnóstico: histeria. A próxima paciente é atendida. Ela tem inchaço, menstruação irregular e cólicas. 

A terceira tem pensamentos obsessivos sobre sexo. Gravíssima condição, ela realmente quer fazer sexo. Histeria, claro. A quarta diz que quer votar... enfim, já ficou claro. Histeria, do grego para útero hysteros, era um termo guarda-chuva usado para quase todos os problemas vistos como só de mulheres. Esses problemas eram atribuídos a irregularidades no útero, possivelmente causadas por insatisfação sexual.

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Tratamento

Era da crença dos médicos então que toda doença segue um ciclo até seu ponto máximo, o paroxismo, após o qual ela começa a melhorar. Incentivar o paroxismo seria um jeito de levar à cura mais cedo. E, como a doença era das partes baixas, o paroxismo devia estar por ali também. Alguns médicos tratavam pacientes “histéricas” com massagens pélvicas, cujo propósito era retornar o útero ao lugar e levar ao tal paroxismo histérico – hoje conhecido por orgasmo.

Compreensivelmente, as pacientes começaram a chegar aos montes para um tratamento assim. Ainda mais numa época em que o tratamento para problemas psiquiátricos era banho de água gelada e, para físicos, sangrias. Os médicos, porém, passaram a se sentir extenuados de todo o esforço exigido no tratamento.

Entra em cena então o médico e inventor britânico Joseph Mortimer Granville. Ele é o criador do martelo de Granville, um vibrador elétrico para aplicar massagens automáticas, tratando doenças musculares, constipação, calvície e, se estamos mencionando-o aqui, histeria. Lançado no começo dos anos 1880, o aparelho fez um imenso sucesso – a ponto de o médico ter de se defender do “uso indevido” de seu aparelho para tratar histeria. Era um vibrador família.

A luta feminista e a evolução da medicina deixaram o conceito de histeria para trás. No começo do século 20, a “doença” foi ficando cada dia mais desacreditada. O vibrador foi engavetado até a revolução dos costumes dos anos 1960 trazê-lo de volta. Em 1968, foi patenteado o vibrador a pilha. Diferente do massageador multifunção de Granville, agora o formato não deixava espaço para dúvidas sobre seu uso.

Fabio Marton


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