História Maluca: O ano não começava em janeiro

Era uma bagunça: cada lugar celebrava numa data

segunda 23 outubro, 2017
Fogos em Copacabana
Fogos em Copacabana Foto:Wikimedia Commons

Veja mais

Na república romana, o ano começava  quando o cônsul assumia a cadeira. Isso teve várias datas, até Júlio César promulgar um novo calendário, em 45 a.C. Então o senado decidiu que, não importa quando o cônsul assumisse, 1º de janeiro seria o começo. Era adequado: o do mês vem de Janus, o deus das passagens.

Com a queda do império, a coisa ficou bagunçada. Os padres se tornaram praticamente a única classe alfabetizada. Quem escreve, registra o tempo. Assim, na Idade Média, datas cristãs passaram a marcar o começo do ano, variando conforme o local. Podia ser no Natal, na Páscoa ou o Dia da Anunciação, 25 de março, que era o mais comum. 

As festas duravam cinco dias, até primeiro de abril. Em 1582, a própria Igreja decidiu pôr ordem nas coisas, com o novo calendário do papa Gregório XIII. A reforma foi porque o calendário juliano tinha uma imprecisão de três dias a cada 400 anos - depois de tanto tempo, as estações do ano e as datas de celebração cristã estavam dessincronizadas. O papa decidiu retomar a tradição romana e colocar o começo do ano em 1º de janeiro - com a justificativa religiosa que esse é o dia da circuncisão de Cristo. 

No início, a mudança gerou confusão. Por teimosia ou desconhecimento, muitos europeus continuaram brindando o novo ano na data antiga, e os trotes de 1º de abril nasceram desse esse equívoco.

A reforma do papa Gregório XIII terminou com a bagunça. Ou pelo menos tentou. A Inglaterra, por exemplo, só adotou a nova folhinha em 1752. Apesar de ter se antecipado ao papa e, por ordem do rei Carlos IX, trocado de calendário já em 1564, a França só conseguiu impô-lo com a Revolução Francesa, em 1789. 

Álvaro Oppermann

Receba em Casa

Vídeos

Mais Lidas

  1. 1 Crianças que nasceram como resultado do horrível programa Há 82 anos, nazistas começavam seu repugnante programa de ...
  2. 2 Os quatro milênios da Babilônia
  3. 3 Uma tempestade chamada Pagu
  4. 4 Inquisição: A fé e fogo
  5. 5 Marginália: As alucinadas ilustrações dos livros medievais