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Entre livros e o amor livre: a emocionante vida de Mary Shelley, a escritora do clássico Frankenstein

Inconformada com o sistema patriarcal de sua época, a jovem viveu um relacionamento conturbado, que a inspirou a escrever sua obra mais famosa

Victória Gearini Publicado em 03/02/2020, às 21h10

Mary Shelley (1797-1851)
Mary Shelley (1797-1851) - Wikimedia Commons

Nascida em 30 de agosto de 1797, em Londres, Mary Wollstonecraft Godwin, mais conhecida como Mary Shelley, foi uma das maiores escritoras de seu tempo. Considerada um símbolo feminista, se consagrou após escrever o clássico Frankenstein, que ganhou diversas adaptações e traduções pelo mundo.

Filha do renomado filósofo William Godwin e da escritora feminista Mary Wollstonecraft, Mary Shelley perdeu sua mãe 10 dias após o seu nascimento. Mesmo com uma infância feliz e repleta de amor, Mary constantemente ouvia calunias e difamações sobre sua mãe que, assim como a filha, tinha uma alma livre e acreditava em todas as formas de amar.

Temendo não conseguir cuidar de sua filha, William Godwin casou-se novamente com Mary Jane Clairmont, tendo mais dois filhos, Charles e Claire. Mary não gostava de sua madrasta por ser muito regrada e possuir "falsas morais".

Mary Shelley (1797-1851) / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aos 16 anos, William Godwin enviou a garota para a Escócia, com o intuito de aprimorar sua escrita e evitar novos conflitos com sua madrasta. Na casa do dissidente radical William Baxterher, a jovem conheceu o poeta Percy Bysshe Shelley, com até então 21 anos. Foi amor à primeira vista, até que foi obrigada a voltar para casa, pois sua irmã Claire havia inventado que estava doente.

Longe de seu grande amor, Mary voltou a dedicar-se à escrita, até que Percy apareceu para ser aluno de seu pai. Encontros às escondidas marcaram o relacionamento conturbado do casal, até que o patriarca os descobriu e lhes proibiu. Em busca de um amor livre, Mary e Percy fugiram, levando Claire com eles.

Por dois anos viveram como adolescentes apaixonados, até a morte de sua primeira filha Clara, com até então poucos meses de vida. Entre brigas e traições, conheceram o famoso Lord Byron, que um belo dia os convidou para passar férias em sua mansão. Claire, por sua vez, estava grávida de Byron, mas nunca teve seu amor reconhecido pelo poeta gótico.

Em uma noite chuvosa, o anfitrião sugeriu que cada pessoa ali presente escrevesse uma história de terror, e o melhor conto ganharia a disputa. Mary, cansada das traições e triste com a perda de sua filha recém-nascida, escreveu o romance Frankenstein, inspirado em sua relação com Percy.

No entanto, aos 18 anos, teve sua publicação negada por todas as editoras, que a julgavam muito jovem. Portanto, pediu para que seu companheiro escrevesse o prefácio de sua obra. Logo, Percy recebeu todos os créditos e Mary virou coadjuvante de sua própria ideia.

A primeira mulher de Percy acabara de se suicidar, deixando sua primogênita morta. Tal fato abalou o poeta que, por muito tempo, entregou-se para o alcoolismo. No entanto, vendo que iria perder seu grande amor, admitiu que Mary era a verdadeira autora de Frankenstein. Emocionada com a atitude do companheiro, a jovem não pensou duas vezes antes de aceitar seu pedido em casamento.

Infelizmente, Percy morreu aos 29 anos de idade, devido a um acidente de barco. Antes de falecer, o poeta se consagrou como um dos maiores dramaturgos da Literatura inglesa. Mary, no entanto, nunca se casou novamente e passou o resto de sua vida se dedicando à escrita, até sua morte, em 1851, aos 53 anos.


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