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Ilha de Pandataria: O exílio por promiscuidade

Júlia, a Velha, filha do Imperador romano Augusto, foi uma das enviadas para a região por conta de sua vida sexual “depravada”

Isabela Barreiros Publicado em 20/03/2020, às 09h00

Júlia, a filha de Augusto, em exílio, pintura de Pavel Svedomsky
Júlia, a filha de Augusto, em exílio, pintura de Pavel Svedomsky - Wikimedia Commons

Na Antiguidade, a italiana ilha de Ventotene, no mar Tirreno, funcionava como um local de exílio para mulheres que pertenciam à família do imperador e não estavam totalmente dentro dos padrões da época. Punidas por sua vida sexual, elas eram obrigadas a permanecer presas no local pelo resto de suas vidas.

O Império Romano passou a criminalizar mulheres por comportamento inadequado no período em que o Imperador Augusto governava. No ano 18 a.C., foi aprovado o conjunto de leis, entre elas a Lex Iulia de adulteriis, que tinha como objetivo restabelecer valores familiares por meio de leis, além de incentivar a procriação e valorizar o casamento.

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Estátua de Augusto de Prima Porta, no Museu do Vaticano / Crédito: Wikimedia Commons

“Assistimos, aqui, a passagem da punição do âmbito privado para o público. A pena não seria mais a morte, mas a deportação da adúltera para uma ilha geralmente distante e pouco habitada, na qual ficaria para o resto da vida”, explica a professora Marina Regis Cavicchioli da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Mas foi nesta época que Júlia, a Velha, única filha biológica do Imperador Augusto foi obrigada a casar-se com Tibério, o filho de outro casamento de Lívia, esposa de Augusto. Ela seria uma das vítimas do regulamento moralista de seu pai.

O casamento foi infeliz para os dois, e acabou piorando quando um dos filhos do casal morreu cinco anos depois. Tibério exilou-se e abandonou Roma — e Júlia começou a se envolver com inúmeros homens, vivendo uma “vida promíscua”. Diz-se que ela fez sexo “até no púlpito de onde Augusto apresentou sua legislação moralista”.

Isso começou a ficar perigoso quando a mulher teve um caso com Júlio Antônio, filho de Marco Antônio. Augusto ficou furioso e enviou a filha para a ilha de Pandataria, onde ela permaneceria o resto de sua vida.

No entanto, segundo a professora Marina Regis Cavicchioli, foram poucas as mulheres que sofreram o mesmo que Júlia. “Acredita-se, porém, que essa lei não fosse rigorosamente aplicada, pois poucas são as notícias de denúncias de adúlteras”, explica.


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