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O cinematográfico sequestro do Sílvio Santos, em 2001

O apresentador procurou acalmar o sequestrador e chegou a oferecer um emprego para o mesmo quando saísse da cadeia

André Nogueira Publicado em 23/02/2020, às 10h00

Silvio Santos e o então governador Geraldo Alckmin
Silvio Santos e o então governador Geraldo Alckmin - Divulgação

Em 30 de agosto de 2001, a mídia brasileira acordou em choque, quando os telejornais soltavam imagens do sequestro do maior apresentador de auditório do Brasil, Silvio Santos, dono do canal SBT. O empresário foi colocado na posição de refém na sua própria casa em São Paulo, no mesmo local onde, no dia anterior, havia ocorrido o sequestro de sua filha Patrícia Abravanel.

“A informação é quase inacreditável, mas a polícia de São Paulo acaba de dizer que o sequestrador Fernando Dutra Pinto, aquele que liderou a quadrilha que sequestrou a filha de Silvio Santos, refugiou-se na casa do apresentador”, foi anunciado de manhã no programa da Globo Mais Você.

O sequestrador, Fernando Dutra Pinto, havia cortado o fio que alimentava a segurança elétrica e adentrou à propriedade dos Abravanel, fazendo refém a família às 9h da manhã. Rapidamente, ele permite que as mulheres saiam da casa, mas o apresentador foi mantido em cárcere.

Na semana anterior, Fernando havia comandado uma equipe que sequestrou Patrícia, filha do apresentador, exigindo 7 milhões de reais. Patrícia só voltaria para casa na terça-feira, dia 28 daquele mês, mas o local onde o mentor do crime estava não havia sido identificado até o segundo refém ser feito.

O criminoso entrou na residência justamente para pedir auxílio ao apresentador, após sua fuga cinematográfica que chegou a mobilizar 100 viaturas policiais na capital paulista. De acordo com Fernando, sua família sofria ameaças injustas em relação a um crime cometido apenas por ele e por seu irmão Esdras.

Em entrevista ao jornalista Elias Awad no livro Fernando Dutra Pinto: Você Acredita Em Mim?, o sequestrador afirmou que Silvio o manteve calmo até a chegada da Polícia e conversou sobre assuntos variados, desde família até novelas. Fernando afirmou que Silvio chegou a oferecer advogados e um emprego para quando saísse da cadeia.

Silvio Santos e a filha, Patrícia Abravanel / Crédito: Divulgação

 

A polícia passou a cercar a casa de Silvio, chagando a levar a irmã do sequestrador ao local do crime para tentar convencê-lo a se render. Fernando externava medo e nervosismo, e até Silvio Santos tentava acalmá-lo. O policial Chico Pinheiro, em entrevista à TV Globo, chegou comentar que o empresário era “o mais tranquilo dentro da casa".

Relata-se que durante as negociações com o sequestrador, uma médica que chegou a atendê-lo durante a conversa, visto que ele estava bastante machucado após a noite de fuga. Por outro lado, ele era alvo direto da Polícia Militar, com quem teve diversos problemas depois do crime, correndo risco de espancamento constantemente na cadeia. Ele já havia matado dois policiais durante a fuga do primeiro sequestro.

“Os fatos eram absolutamente surpreendentes. As coisas estavam acontecendo ali, diante dos nossos olhos, ao vivo. Era um assunto de polícia, com alta carga emocional, envolvendo uma figura pública, e com todos os componentes de uma crônica policial”, relatou Amauri Soares, que reportava o caso para a emissora Globo.

Após sete horas de negociação, Silvio chamou o, então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin para garantir a segurança de sua saída e Fernando se entrega a Polícia. A justificativa do sequestro, revelada em depoimento pelo sequestrador, era de conseguir uma boa quantia em dinheiro para aposentar e comprar cestas básicas para a comunidade que morava. Fernando faleceu na prisão em janeiro do ano seguinte, vítima de uma infecção por ferimentos obtidos na cadeia.


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