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Guerra, libertinagem e frustrações: a aventura obscena de Joseph Hooker

Durante a Guerra Civil, o general Hooker adotou uma medida inusitada para elevar a moral de seus combatentes: criar uma legião de prostitutas — no entanto, o tiro saiu pela culatra

Acervo Aventuras/Fabio Previdelli Publicado em 20/06/2020, às 09h00

Ilustração de Joseph Hooker
Ilustração de Joseph Hooker - Getty Images

O general de brigada Joseph Hooker era adorado pelas tropas da União, o Exército do presidente norte-americano Abraham Lincoln contra a Confederação sulista na guerra civil norte-americana, entre 1861 e 1865. O profissional assumiu o comando do Potomac, a maior divisão do Exército do norte, após a derrota custosa de seu antecessor na Batalha de Fredericksburg.

Determinado a elevar o moral dos soldados, tomou algumas medidas inusitadas que o tornaram bastante popular. Além de solicitar rações melhores que os biscoitos duros de costume — assim como mais remédios para soldados doentes — e permitir férias curtas, Hooker liberou os jogos de azar e a prostituição para os subordinados.

As festas do general eram infames pela quantidade de álcool e pela presença das “pombas caídas”, como eram chamadas as prostitutas, mas a farra não se limitava à tenda dos oficiais. Para evitar que os soldados inquietos criassem confusão em Washington, onde estavam acantonados, ele reuniu todas as meretrizes em um mesmo bairro.

General Joseph Hooker (sentado, 2ª à direita) e sua equipe, em 1863 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O local ficou conhecido como Hooker’s Division e as mulheres foram chamadas de hookers. O termo, cunhado para designar quem vendia sexo, foi adotado pelas tropas e pelos jornais locais e se transformou em sinônimo de prostituta — que vale ainda hoje. O general permitia que elas acompanhassem o Exército em marcha na chamada Legião de Hooker (ou legião de prostitutas).

Porém, o tiro saiu pela culatra: as doenças — principalmente as contagiosas e venéreas — mataram mais soldados que as batalhas.

Primeiros anos

Hooker nasceu em Hadley, Massachusetts, em 13 de novembro de 1814. Desde sempre, teve uma ligação militar muito grande, afinal, era neto de um capitão na Guerra Revolucionária Americana.

Sua família era de ascendência inteiramente inglesa, todos da Nova Inglaterra, onde se estabeleceram desde o século 16. Joseph iniciou sua vida educacional na Academia Hopkins e se formou na Academia Militar dos Estados Unidos em 1837, sendo o 29º na turma de 50 alunos.

Retrato do general Joseph Hooker / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pouco depois, foi comissionado um segundo tenente na 1ª Artilharia dos EUA. Sua missão inicial foi na Flórida, lutando na segunda Guerra Seminole — e também serviu na Guerra Mexicano-Americana. Sua futura reputação no Exército como mulherengo começou no México, onde as meninas locais se referiam a ele como o "Capitão Bonito".

A vida de Guerras, conquistas e decepções

Após a Guerra Mexicano-Americana (que terminou em 1848), ele serviu como assistente geral adjunto da Divisão do Pacífico, mas renunciou à sua comissão em 1853; sua reputação militar foi prejudicada quando testemunhou contra seu ex-comandante, o general Scott, na corte marcial por insubordinação de Gideon Johnson Pillow.

Assim, Hooker lutou com o tédio da vida em tempos de paz e passou o período fora do Exército se dedicando a bebidas, mulheres e jogos de azar. Depois de testemunhar a derrota do Exército da União na Primeira Batalha de Bull Run, escreveu uma carta ao Presidente Abraham Lincoln reclamando da má administração militar e solicitando uma nova oportunidade.

Com isso, em agosto de 1861, assumiu o cargo de general de brigada de voluntários. Além da brigada, Hooker também comandou uma divisão em torno de Washington, como parte do esforço para organizar e treinar o novo Exército do Potomac — o que aconteceu em 26 de janeiro de 1863.

Alguns membros do exército viram esse movimento como inevitável, dada a reputação de Hooker por combates agressivos, algo que faltava muito em seus antecessores. Durante a "Marcha da Lama", Joseph foi citado por um correspondente do Exército do New York Times como tendo dito que "Nada daria certo até termos um ditador, e quanto antes melhor."

Lincoln escreveu uma carta ao general recém-nomeado, parte do qual afirmou: ”Ouvi dizer que, recentemente, você disse que o Exército e o Governo precisavam de um ditador. Claro que não foi por isso, mas apesar disso, eu lhe dei o comando. Somente os generais que obtêm sucesso podem se estabelecer ditadores. O que agora peço a você é sucesso militar e arriscarei a ditadura”.

Sua trajetória no Exército do Potomac

Durante a primavera de 1863, Hooker estabeleceu uma reputação de administrador extraordinário e restaurou o moral de seus soldados ao instaurar as medidas já citadas. “Eu tenho o melhor exército do planeta. Eu tenho o melhor exército em que o sol já brilhou. ... Se o inimigo não correr, Deus os ajude. Que Deus tenha piedade do general Lee, pois não terei nenhum”, disse em uma carta.

O plano de Hooker para a campanha de primavera e verão era elegante e promissor. Ele primeiro planejou enviar seu corpo de cavalaria para a retaguarda do inimigo, interrompendo as linhas de suprimentos e distraindo-o do ataque principal. Depois, derrubaria o exército muito menor de Robert E. Lee em Fredericksburg, enquanto levava a maior parte do exército do Potomac em uma marcha flanqueadora para atingir Lee pelas costas.

Derrotando Lee, ele poderia seguir em frente para conquistar Richmond. Infelizmente para Hooker e o Union, a execução de seu plano não saiu como o planejado. Em 28 de junho de 1863, três dias antes da batalha climática de Gettysburg, Joseph foi substituído pelo major-general George Meade. Apesar de receber os agradecimentos do Congresso por seu papel no início da campanha de Gettysburg, a glória iria para Meade. O mandato de Hooker como chefe do Exército de Potomac durou 5 meses.

O fim de carreira

Apesar do revés, sua carreira militar não terminou. Após a guerra, liderou a procissão fúnebre de Lincoln em Springfield, em 4 de maio de 1865. Além do mais, serviu no comando do Departamento do Leste e do Departamento dos Lagos.

Sua vida pós Exército foi prejudicada por problemas de saúde e ele ficou parcialmente paralisado em decorrência de um derrame. Assim, foi retirado do serviço voluntário em 1º de setembro de 1866 e aposentado do Exército dos EUA em 15 de outubro de 1868, com a patente regular de major-general do exército.

Joseph Hooker morreu em 31 de outubro de 1879, enquanto visitava Garden City, em Nova York, e foi enterrado no cemitério de Spring Grove, em Cincinnati, Ohio — a cidade natal de sua esposa.


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