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Fanta foi criada na Alemanha Nazista

O refrigerante da Coca-Cola foi desenvolvido em pleno 3º Reich como solução para um problema local da empresa

André Nogueira Publicado em 22/07/2019, às 18h00

Cartaz de publicidade da Fanta
Cartaz de publicidade da Fanta - Reprodução

A Alemanha, durante o século 20, era um dos principais polos empresariais e industrializado, fazendo com que diversas empresas estrangeiras tivessem uma sede no país. Esse é o caso da Coca-Cola, que entrou em uma enrascada durante a Segunda Guerra Mundial.

Por causa dos conflitos e bombardeios da guerra, era praticamente impossível o transporte de produtos dentro da Europa. Ao mesmo tempo, como os EUA (de onde vem a Coca-Cola Company) era oficialmente inimigo dos alemães, estava em voga a proibição da entrada de seus produtos e mercadorias no país. Por causa disso, a Coca-Cola da Alemanha ficou impedida de receber as cargas do xarope de cola, matéria prima da fórmula do refrigerante, tornando impossível a produção da bebida original.

Publicidade alemã do refrigerante Crédito: Reprodução

 

O medo de o governo fechar as empresas da Coca-Cola em território alemão, levando a uma possível crise nas finanças, fez com que os associados e investidores da marca começassem a quebrar suas cabeças para encontrar alternativas viáveis. Uma delas era a mais realista naquele momento: deveriam encontrar uma nova fórmula para um produto que fosse possível fabricar, com matéria-prima que se encontrasse na Alemanha, para que pudessem comercializar o produto enquanto o transporte da carga de cola estivesse impedido de trafegar na Europa.

Max Keith, chefe de produção da empresa, ficou encarregado pela administração do processo de encontrar matérias primas disponível que viabilizasse o novo produto. O aval para as novas experiências pretendia uma ação rápida que impedisse o encerramento da atividade fabril. A tarefa então ficou a cargo do químico principal, dr. Schetelig, que rapidamente chegou a uma fórmula baseada no suco da maçã e de cor amarela.

Para escolherem o nome do novo produto, a fábrica fez um concurso de criatividade entre seus funcionários. Entre as opções, a vencedora foi a proposta do vendedor e operário Joe Knipp: chamou o novo refrigerante de Fanta! Knipp parte da palavra em alemão Phatastischen, que significa literalmente Fantástico e, então, reduziu o termo para criar mais sonoridade e facilidade de entoar. Segundo os responsáveis pela escolha do termo, o novo nome é acessível em diversas línguas diferentes (inglês: fantastic, português e espanhol: fantástico, francês: fantastique, italiano: fantastico). 

Devido ao cenário de guerra, a produção da Fanta era bastante precária. Os produtos usados eram os disponíveis, levando a fábrica a utilizar sobras de fibra de maçã das indústrias de cidra e até o soro de leite que sobrava da produção de queijo. Pela inconstância do sabor e falta de personalidade do produto, a Fanta teve, inicialmente, pouca adesão entre o público consumidor.

Porém, a eficiente máquina de propaganda do Estado nazista se esforça  em criar esse interesse no público. Em pouco tempo, a população alemã passa a criar maior apreço ao novo refri e as vendas se tornam lucrativas.

Embalagem antiga da Fanta Reprodução: Divulgação

 

Por mais de uma década esse novo produto fica desconhecido fora da Alemanha. É só em 1955 que a fábrica da Coca-Cola italiana, em Nápoles, modifica a fórmula do refrigerante e adiciona à receita um misto de malte e extrato de laranja, chegando ao sabor hoje mais vendido e conhecido da marca. A nova receita será exportada e lançada três anos depois no mercado japonês, fazendo bombar a nova fórmula e crescer a marca. Depois da experiência de sucesso, a Fanta vai atingir sucesso internacional, chegando aos EUA em 1959, na Argentina em 1961 e no Brasil em 1964.