Curiosidades » Bizarro

Frankenstein: Os experimentos reais que inspiraram a história do icônico personagem

Para fundar a obra de ficção científica, Mary Shelley se inspirou em fatos verdadeiros

Alana Sousa Publicado em 23/08/2019, às 01h00

None
- Crédito: Reprodução

A fábula do Frankenstein é conhecida por todos. O livro, de 1818, que narra a história do cientista que cria e dá a vida a um monstro usando ondas de eletricidade se popularizou, tornando-se a primeira obra de ficção científica do mundo. Mas você conhece os experimentos reais que inspiraram esse romance de terror?

 O que parece fantasia para nós era bastante popular entre as pessoas no século 19. Experimentos utilizando “eletricidade animal” (eletricidade produzida através das células) tentavam a todo custo provar que era possível restaurar e até gerar a vida a partir desse recurso. Tudo começou em 1786, quando Luigi Galvani descobriu que músculos de rã morta se moviam quando atingidos por uma corrente elétrica.

Em 1803, seu sobrinho, Giovanni Aldini, levou a coisa ao extremo usando como cobaia o corpo de um homem que tinha sido condenado à morte. Aldini e seus assistentes realizaram o experimento com espectadores. O ato saiu no Times, que relatou que o cadáver começou a tremer, um dos olhos foi aberto, a mão direita foi levantada e as pernas, postas em movimento. Apesar de não ter conseguido cumprir o propósito de ressuscitar o homem, foi o suficiente para surpreender quem assistia e dar esperança para outros cientistas.

 No mesmo ano, Johannes Ritter também realizou experimentos elétricos. Só que em si mesmo, com o objetivo de explorar como a eletricidade afetava as sensações.

 Após a publicação do livro de Mary Shelley, o químico escocês Andrew Ure realizou seus próprios experimentos elétricos no corpo de um homem executado por assassinato. Quando o homem morto foi eletrificado, Ure escreveu: “Cada músculo em seu semblante foi simultaneamente lançado em ação temerosa; raiva, horror, desespero, angústia e sorrisos medonhos uniram sua expressão hedionda no rosto do assassino”.

 Pelo menos um século antes a ideia já tinha sido debatida por um dos cientistas mais importantes da História: Isaac Newton. Ele especulou, no início dos anos 1700, que havia uma ligação íntima entre a eletricidade e os processos da vida. Mas não há como fazer alguém voltar: o que os eletrodos faziam era estimular o processo natural em que diferenças de carga elétrica excitam os músculos a se moverem.