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"Pão e Paz": o protesto feminino que aterrorizou o Czar Nicolau II

As mulheres tiveram extrema importância nas manifestações russas que antecederam a Revolução de 1917

Raphaela de Campos Mello Publicado em 08/03/2020, às 09h00

Mulheres russas em protesto, em 8 de março de 1917
Mulheres russas em protesto, em 8 de março de 1917 - Wikimedia Commons

O clima de revolta e luta prosseguiu nos anos seguintes até finalmente chegar o dia 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, segundo o calendário Juliano, adotado pela Rússia até então). Nessa data, aproximadamente 90 mil operárias russas manifestaram-se em São Petersburgo contra o czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação do país na Primeira Guerra Mundial.

Batizado de “Pão e Paz”, o protesto, encabeçado por mulheres, extrapolou a questão de gênero e acabou precipitando nada menos do que a Revolução Russa, que eclodiria em outubro daquele ano e colocaria os bolcheviques no poder, alterando o cenário político e social a favor da parcela feminina da população.

“Meses após a Revolução Russa, o novo regime colocou homens e mulheres em igualdade nas leis, legalizou o aborto seguro e gratuito, implantou creches em período integral, licença-maternidade e o direito ao divórcio. Além disso, construiu lavanderias e refeitórios coletivos, regulamentou a jornada de oito horas diárias de trabalho e fomentou a participação das mulheres nos estudos e na vida pública”, lista a historiadora e doutoranda em História pela Uerj.

Luiza lembra ainda que, na Rússia revolucionária, mulheres ocupavam cargos de chefias políticas e, na Segunda Guerra Mundial, foram as primeiras aviadoras e atiradoras de elite nos combates contra os nazistas. O restante do mundo ocidental demorou um pouco mais, mas acabou, na segunda metade do século 20, seguindo o exemplo da Rússia Socialista e implementando boa parte dessas mudanças.

No Brasil, a luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970, emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher.


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