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Arca da Aliança: Estaria a tão procurada relíquia bíblica escondida na Etiópia?

O baú de madeira, recoberto por ouro, estaria escondido dentro de uma igreja africana. Um único guardião tem acesso

Alana Sousa Publicado em 30/08/2019, às 07h00

Como supostamente seria as tábuas de pedra que conteriam os Dez Mandamentos
Como supostamente seria as tábuas de pedra que conteriam os Dez Mandamentos - Crédito: Reprodução

A Arca da Aliança foi encontrada em Axum, cidade ao norte da Etiópia. É mantida dentro da Igreja de Nossa Senhora Maria de Zion e preservada pela única pessoa autorizada a ver o objeto: um guardião, que se diz disposto a morrer para proteger o baú.

Isso é o que diz Bob Cornuke, arqueólogo amador e presidente da organização Bible Archaeology Search and Exploration Institute (BASE), cuja sede fica em sua própria casa, no Colorado. Cornuke afirma que não viu a Arca — o acesso não teria sido autorizado.

Ainda assim, ele afirmou, em um post no site de sua organização, que as evidências que sua equipe descobriu são convincentes o suficiente.

A arca teria sido retirada de Jerusalém pelo rei judeu Manassés e levada pelo povo escolhido até a colônia judaica na Ilha Elefantina, no Egito, conta Cornuke. Dali teria seguido ao longo do rio Nilo, até um local escondido nas terras altas da antiga Kush, atual Etiópia.

O fascínio pela Arca da Aliança é compreensível. Segundo a Bíblia, ela teria sido construída para abrigar as duas tábuas de pedra contendo os Dez Mandamentos, que Javé escreveu com fogo e entregou a Moisés. A Arca guardaria, portanto, a própria caligrafia de Deus. O texto bíblico relata, com grande quantidade de detalhes, como o baú teria sido construído.

Ela teria cerca de um metro de comprimento por 66,6 centímetros de altura e largura, seria feita de madeira recoberta de ouro e decorada com dois anjos. Depois que os babilônios ocuparam Jerusalém, a arca desapareceu.

Se foi destruída ou oculta, ninguém nunca soube. O curioso é que os babilônios registraram por escrito tudo o que tomaram dos povos que conquistaram. E a arca não é mencionada nesses documentos.

Ilustração do suposto item desaparecido / Crédito: Reprodução

Lugares como Israel, Europa e Egito já foram alvos de teorias sobre o paradeiro do lendário objeto. Ninguém jamais apresentou nenhuma evidência palpável. A verdade é que Bob Cornuke não é o maior candidato a, finalmente, localizar a arca.

Cornuke se considera um arqueólogo bíblico, mesmo sem ter nenhum tipo de formação. Entre suas supostas descobertas, está o Monte Sinai — conhecido como Monte de Deus — e a Arca de Noé, que teria sido encontrada no Irã. Ele também teria localizado os mastros de um barco que naufragou com o apóstolo Paulo a bordo. 

"Acho ótimo ler histórias como a da Arca da Aliança. Mas não acredito, como um arqueólogo de campo, que podemos usar o método científico para provar ou desmenti-las", diz Fred Hiebert, arqueólogo e membro da sociedade do National Geographic.

Nem mesmo Bob Cornuke parece convencido de sua própria pesquisa. No próprio post em que anuncia o achado, ele afirma: “Neste ponto, não podemos dizer com certeza que seja, mas também não podemos dizer com certeza que não é”.