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Afinal, por que as bruxas eram geralmente mulheres?

Nos Estados Unidos do século 18, mulheres fora do padrão eram vistas como perigosas feiticeiras. Mas por que não os homens?

Joseane Pereira Publicado em 05/07/2020, às 07h00

Pintura ilustrativa mostra três bruxas
Pintura ilustrativa mostra três bruxas - Getty Images

Entre os séculos 17 e 18, a Nova Inglaterra fervilhava com acusações de bruxaria. Um grande exemplo é o caso de Salem, quando 19 pessoas foram executadas como bruxas em 1692.

Mas, por que o pacto com o diabo era feito basicamente por mulheres? Para responder essa questão, precisamos entender a sociedade estadunidense da época.

Homens puritanos

Segundo Bridget Marshall, da Universidade de Massachusetts Lowell, o ponto mais marcante sobre os julgamentos de bruxas era o gênero. “Em Salem, 14 das 19 pessoas consideradas culpadas e executadas por bruxaria eram mulheres. E, mesmo quando os homens enfrentavam alegações de bruxaria, era tipicamente porque estavam de alguma forma associados a mulheres acusadas”, afirma Marshall para a Live Science.

Na sociedade profundamente religiosa da época, as mulheres ocupavam uma posição de pouco destaque. Para os puritanos, seu único papel era criar filhos e administrar a vida doméstica baseada na submissão cristã. E, de acordo com a Bíblia, o gênero feminino era o mais propenso a ser atraído pelo demônio.

Julgamentos em Salem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mulheres fora do padrão

Quando as mulheres saíam do papel estabelecido, acabavam se tornavam alvos. Ter poucos filhos, muitos filhos, dinheiro escasso ou grandes fortunas era sinal de que algo estava fora do lugar. Mary Webster, de Hadley, Massachusetts, é um exemplo da mulher pobre e deslocada socialmente: com 60 anos e vivendo de esmolas, ela foi acusada de bruxaria em 1683, sob alegação de que enfeitiçava o gado local. Na época, o Tribunal de Assistentes de Boston declarou-a inocente.

Outra das acusadas era o oposto de Webster: Mary Parsons era mãe de nove filhos e esposa de um homem muito rico. Mas, em 1674, foi acusada de bruxaria pelos vizinhos, que afirmavam que ela tinha um “discurso forçado e maneiras dominadoras”.

“Os julgamentos de bruxas não eram apenas acusações que hoje parecem infundadas. Eles também tratavam de um sistema de justiça que escalava as queixas locais em ofensas capitais e visava uma minoria subjugada”, afirma a pesquisadora Marshall.

Portanto, mais do que demonstrar um poder sobrenatural e fantástico, mulheres acusadas de bruxaria deixaram registrada a forma como a sociedade patriarcal e puritana do século 18 tratou aqueles que fugiam de um padrão de normalidade vigente.


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