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Segregador e exclusivo: o controverso discurso que não aceita mulheres na maçonaria

Ordem milenar restringe a participação feminina desde os tempos medievais

Victória Gearini Publicado em 30/01/2020, às 21h15

Símbolo da maçonaria
Símbolo da maçonaria - Getty Images

A maçonaria é uma Ordem mundial e milenar, e a participação de mulheres é restrita. Embora não haja um preceito específico que proíba membros femininos, ordens similares foram criadas como forma de reparação.

Segundo o jornalista Sérgio Pereira Couto, autor da obra Grandes Mitérios da História, entre os maçons tradicionais a participação feminina é pouco conhecida pois documentos originais foram destruídos ao longo dos anos.

De acordo com o historiador Ambrósio Peters, da Ordem de Curitiba, embora não haja uma proibição de fato para a participação de mulheres, a não admissão tem raízes milenares e já foi contestada até pela a Rainha Elizabete, que já foi barrada pela Ordem.

“A não admissão de mulheres na Maçonaria é uma tradição milenar que vem desde os Maçons Medievais, que deles vem sendo transmitida até nós através dos manuscritos dos antigos deveres que serviram de base para a elaboração dos regulamentos dos livros das constituições de James Anderson”, escreveu Peters no Portal Maçônico.

Símbolos da maçonaria / Crédito: Getty Images

 

Ao longo dos séculos, a relação da Ordem com o sexo feminino foi conturbada, repleta de reconciliações e separações. Durante a Idade Média, homens impediram que mulheres ingressassem na maçonaria temendo que isto enfraquecesse seus poderes na sociedade patriarcal.

“A sociedade da época era caracterizada por miséria e falta de empregos, e os homens, com medo da inclusão de mão de obra feminina, que poderiam se tornar operárias com salários menores, quiseram restringir essas oportunidades”, escreveu Sérgio Pereira Couto.

Segundo Anatoli Olynik Dyn, autora do site Maçonaria Feminina, antes da noção de gênero, nenhuma outra sociedade proibia a participação de mulheres em uma determinada ordem religiosa, mas a partir da Igreja Católica esta percepção mudou.

“Alegavam, nas sociedades antigas, que a posição de inferioridade da mulher era devido à sua fragilidade física, sendo que até a esterilidade conjugal era indevidamente associada à mulher, pois não poderia comprometer o macho da espécie perante seus congêneres”, disse Anatoli Olynik Dyn.

Crédito: Getty Images

 

Embora no Manuscrito Poema Régio, de 1730, não haja restrições para a participação de mulheres, a Constituição de 1723 contesta isto. O manuscrito afirma que “amavelmente servimo-nos a todos, como se fôssemos irmão e irmã”. No entanto, a Constituição de 1723, imposta pelo presbítero James Anderson, proíbe a participação de mulheres, escravos e deficientes físicos.

“Para vários historiadores do assunto, as alterações de Anderson só passaram a ser válidas quando, na época da Reforma Protestante, alegou que os representantes desse movimento foram os responsáveis pela destruição dos demais documentos existentes”, disse Sérgio Pereira Couto.

No entanto, a partir de 1730, começaram a surgir outras ordens que buscavam combater o machismo da época, como a Maçonaria de Adoção, a Ordem da Fidelidade, a Ordem dos Cavaleiros e Heroínas da Âncora e as Ninfas da Rosa.

Ao longo dos séculos, mulheres buscam quebrar preceitos machistas e segregadores da maçonaria. No entanto, segundo Sérgio Pereira Couto, quando homens maçons são questionados por não admitirem mulheres na Ordem, agem de forma controversa e agressiva.

“Pode até ser justo querermos aplacar as nossas consciências pelo fato de não admitirmos mulheres, mas para o bem da Maçonaria é muito melhor deixar como está. Essa tradição é tão antiga quanto as guildas dos maçons medievais do século 9, quando as mulheres eram socialmente marginalizadas, uma situação que atravessou a Idade Média e a Idade Moderna, e entrou pela Era Contemporânea até ainda as primeiras décadas do século 20”, afirmou o Portal Maçônico.


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