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Contos de fada: A verdade por trás da fantasia

Esqueça as fadas boazinhas, na Idade Média, elas eram seres macabros

Maria Carolina Cristianini Publicado em 16/12/2019, às 15h30 - Atualizado às 16h00

As fadas (Le Villi)
As fadas (Le Villi) - Getty Images

Em um mundo no meio do caminho, entre este e o próximo, vivem criaturas sobrenaturais do tamanho de humanos, dotadas de poderes mágicos e por eles capazesde voar – sem asas. São as fadas. Que em nada se pareciam com qualquer figura vista em desenhos animados modernos. Ou qualquer coisa adequada a crianças, a dizer.

Os celtas da Irlanda e Escócia falavam das aes sídhe, uma raça sobrenatural, às vezes chamada também de povo das fadas. Eles – fadas podiam ser menino ou menina – seriam ancestrais, espíritos da natureza imortais, vivendo em pequenos montes ou em marcos sobre túmulos – um tema comum entre os povos celtas.

Uma interpretação bem mais sombria para as fadas, cujo curso inicial da lenda se perdeu, veio com o cristianismo: um tipo de demônio. O rei James I (1566-1625), da Inglaterra e Escócia, em sua Daemonologie (Demonologia), chegou a usar o termo faries (graficamente próximo ao inglês fairies, fadas) para se referir a espíritos ilusórios, entidades infernais que faziam profecias, acompanhavam e transportavam os
indivíduos aos quais serviam – ideia associada a bruxas. Isso aparece na feiticeira do Rei Artur, às vezes chamada de Fada Morgana.

Outra possibilidade levantada pelos cristãos era que as fadas eram uma classe de anjos caídos. Não sendo suficientemente piedosos para permanecer no céu nem maus o bastante para serem enviados ao inferno, alguns anjos teriam sido colocados para fora dos portões divinos. Apesar de não marcarem todas as lacunas no formulário dos demônios, eram vistos como súditos de Satã.

As fadas mudaram muito com o tempo / Crédito: Divulgação

 

O século 19 já chegara quando, em círculos teosofistas da Inglaterra, a crença na natureza angelical das fadas veio com os devas, termo importado do sânscrito representando entidades que orientariam processos da natureza, como a evolução dos organismos e o crescimento das plantas. Os tipos mais terrestres incluem espíritos naturais, elementais e fadas – então descritas como coloridas, mas ainda do tamanho de um ser humano.

The Coming of the Fairies (A Vinda das Fadas), do britânico Arthur Conan Doyle (1859-1930, o pai de Sherlock Holmes), tem fotos do suposto aparecimento de fadas na cidade
inglesa de Cottingley – farsa de recorte e colagem de duas pré-adolescentes, desmascarada anos depois – e cita o teosofista E. L.Gardner (1869-1969) e sua comparação das fadas com borboletas, cuja função seria prover uma ligação essencial entre a energia do Sol e as plantas da Terra.

Seu aspecto já havia se transformado. Pequenas, nebulosas, com um núcleo de faísca brilhante. Como as borboletas, donas de asas. E bem mais boazinhas.


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