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Conheça os russos que fugiram da Revolução Comunista de 1917

Militares contrarrevolucionários e civis: muitas pessoas abandonaram seu país natal e vieram ao Brasil por medo das consequências do comunismo bolchevique

Redação Publicado em 08/09/2019, às 08h00

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A história dos imigrantes russos no país latino-americano começou quando muitos contrarrevolucionários deixaram a Rússia durante ou após a maior revolução que já haviam enfrentado.

Em 1917, iniciou-se um período de conflitos que derrubou a monarquia russa e instaurou um regime soviético governado pelo Partido Bolchevique. Entre as décadas de 1920 e 1930, o confronto fez com que inúmeros militares e civis fugissem do país em busca de uma vida melhor.

Anatóli Chnee fazia parte do Exército Branco, grupo militar formado por contrarrevolucionários. Ele recebeu ordens que, caso perdessem para o Exército Vermelho, todas as embarcações militares em seu domínio fossem para o porto de Sebastopol, na Crimeia, e de lá para outros lugares em que pudessem recomeçar. 

Anatóli Chnee e família / Crédito: Reprodução

 

"Meu pai teve três irmãos. Todos eles foram fuzilados por ordem de Josef Stalin. Se não tivesse fugido da Rússia, em 1921, teria tido o mesmo fim", comenta Igor Chnee, filho do militar mencionado e autor do livro Imigrantes Russos no Brasil, em entrevista à BBC. Muitos escaparam do país por medo de sofrer com as ações ordenadas por Stalin.

Victor Gers Júnior, presidente da Associação Russo Brasileira (ARB) comentou sobre a mesma situação. Segundo ele, os oficiais deixaram o país após a derrota. "Depois de derrotado pelo Exército Vermelho de Vladimir Lênin, o Exército Branco fugiu para diversos países, como Bulgária, França e Alemanha. Na ocasião, aproximadamente 200 imigrantes russos, vindos em dois navios, Provence e Aquitaine, desembarcaram no porto de Santos", narra.

Desfile do Exército Vermelho, na Praça Vermelha / Crédito: Klimbim

 

Mas, para além dos que estavam na linha de frente, alguns civis também fizeram o mesmo. Tamara Kalinin, filha de imigrantes russos e professora, conta que seus pais tiveram dificuldades ao chegar no Brasil. "A adaptação deles foi difícil. Meu pai trabalhava como mecânico e minha mãe, costureira. Os dois custaram a arranjar emprego".

O Brasil conta com cerca de 1,8 milhão de descendentes de imigrantes e refugiados russos. A maioria dessas pessoas está nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás e Paraná, e, com números menores, no Rio de Janeiro, Santa Catarina e Pernambuco.