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Tabuleiro Ouija: Brincando com os mortos

Há quase mil anos esta peça ganhou fama de fazer conexões sobrenaturais. Conheça sua história!

Alana Sousa Publicado em 27/07/2019, às 13h00

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Uma superfície plana contendo letras, números e alguns símbolos. É um dos métodos mais famosos de uma possível comunicação com pessoas que já morreram. O tabuleiro é comercializado livremente ao redor do mundo, e os mais incrédulos o enxergam como uma brincadeira de criança.

Entretanto, a necromancia (arte de adivinhar o futuro pelo contato com os mortos) está presente em várias sociedades, desde os tempos antigos. A primeira evidência de uma variante da placa Ouija foi encontrada na China, e sua menção data de 1100 d.C. em documentos históricos da dinastia Song.

A comunicação era conhecida como Fuji, que pode ser traduzido como Escrita Espiritual. Era usada em rituais e apenas sob supervisão de membros autorizados. Até ser proibida pela Dinastia Qing, foi uma prática recorrente na Escola Quanzhen.

Na Europa e Estados Unidos, em meados do século 19, o espiritualismo decolou em grande escala. A expectativa de vida no período era inferior a 50 anos, e as pessoas eram atraídas pela promessa de comunicação com seus entes queridos que estavam no além. A nova religião, o espiritismo, afirmava que a morte do corpo físico não significava o fim d seu espírito, e era difundida a crença de que os mortos viviam em um plano em outra dimensão. Charlatões atraíam as pessoas a fim de faturar mais dinheiro.

As sessões com mesas voadoras, respostas por barulhos em paredes e possessões em médiuns eram alguns dos sinais de que os espíritos estavam em contato com os vivos. Percebendo o segmento que se formara, o empresário Charles Kennard criou uma forma mais rápida e direta de receber as mensagens enviadas do plano espiritual.

O protótipo era uma mesa falante, versão mais rústica da mesa Ouija. Na divulgação do produto, Kennard alegou que perguntara aos espíritos como sua invenção deveria ser chamada e a prancheta soletrou a palavra Ouija. Quando ele perguntou o que significava a palavra bizarra, eles responderam Boa Sorte. Começava então o mais eficiente método de necromancia.

Em 1890, o americano Elijah J. Bond solicitou a patente do Ouija, que foi concedida em 1891. O tabuleiro passou a ser vendido como um brinquedo e sua embalagem vinha sem nenhuma explicação de como funcionava, apenas que poderia responder a perguntas sobre o passado e que seria o elo entre o conhecido e o desconhecido.

No Brasil, a variante do tabuleiro de Ouija é a Brincadeira do Copo, famosa principalmente entre crianças. Já rendeu inspiração para filmes recentes de terror como Ouija – O Jogo dos Espíritos, lançado nos cinemas em 2014, e Ouija – Origem do Mal, de 2016, que recebeu críticas positivas do público especializado.