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Henrique VI teria sido um treinador sexual?

O rei teve suas relações com a esposa assistidas durante anos, um caso inédito na história da monarquia, que na verdade teria um motivo simples — que não tinha a ver com fetiches

Ingredi Brunato Publicado em 07/12/2020, às 18h00 - Atualizado às 18h02

Pintura representando Henrique VI
Pintura representando Henrique VI - Wikimedia Commons

Na Europa dos tempos antigos, era comum que a lua-de-mel de reis e rainhas contasse com uma plateia composta pelos convidados do casamento, que eram responsáveis não apenas por levar os recém-casados para cama, mas também por estarem presentes durante a primeira relação do casal, garantindo assim que o laço matrimonial estava sendo devidamente consumado. 

Todavia, o que não era comum era que essa situação prosseguisse após a lua-de-mel, como explicou a historiadora Lauren Johnson em entrevista para o The Guardian no ano de 2019: "Embora as cerimônias reais possam envolver bênçãos públicas e talvez procissões até o quarto de dormir na noite de núpcias, depois desse ponto ninguém ficava no quarto real quando o rei e a rainha estavam tendo suas relações conjugais”. 

E ainda assim, foi isso que a especialista descobriu que acontecia com o Rei Henrique VI da Inglaterra quando pesquisou sobre o assunto em fontes históricas variadas, como os Arquivos Nacionais britânicos e o Ryalle Boke, que explica o protocolo da corte do período. 

Pintura da Rainha Margaret, espose de Henrique VI, por John Talbot / Crédito: Wikimedia Commons

 

“A evidência de que haviam pessoas hospedadas no quarto do rei potencialmente alguns anos depois que ele se casou é...muito estranha”, resumiu a pesquisadora, que ficou muito surpresa ao encontrar esses indícios. 

Cena explícita

Johnson, que escreveu posteriormente o livro “Shadow King: The Life and Death of Henry VI” (“Rei das Sombras: A vida e morte de Henry VI”, em tradução livre), descobriu registros que narravam ocasiões em que, após Henrique VI se acomodar em seus aposentos, mandava buscar a Rainha Margaret d’Anjou, que vinha acompanhada do camareiro e dois outros cavalheiros (cujas identidades não são reveladas). 

De forma surpreendente, todavia, os registros não especificam em que momento essas pessoas deixavam o quarto real, permanecendo “em aberto” a possibilidade do casal ainda ter um grupo de espectadores garantindo que “o leito conjugal estava sendo usado corretamente”, como colocou a pesquisadora para o The Guardian. 

A razão por trás de tudo

Henrique VI demorou oito anos até gerar um herdeiro, o que foi um tempo muito longo, suficiente para gerar boatos de infertilidade, e de que seu filho, quando afinal veio, seria na verdade um bastardo

“Como o primeiro dever de uma rainha era ter filhos, isso teve um sério impacto na popularidade de Margaret d’Anjou", comentou Johnson, ainda acrescentando que a reputação do rei também foi abalada pelo acontecimento. “A infertilidade geralmente era atribuída às mulheres, mas as reclamações sobre a esterilidade real minavam a masculinidade de Henrique e sua autoridade”, concluiu. 

Pintura de Margaret por Mary Howitt / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim, faria sentido que houvessem pessoas próximas da monarquia constantemente garantindo que o casal real estava “fazendo tudo certo”, e a ausência de um herdeiro realmente estava fora do controle deles. 

Possivelmente ainda receberiam dicas desses espectadores que, como eles, também estariam interessados no sucesso da geração de um herdeiro real. 

Ainda segundo a pesquisadora, os dois poderiam ter demorado para conseguir ter um bebê porque a rainha sofreria de um distúrbio alimentar. A especulação é baseada em um documento de 1467 que menciona como Margaret faria jejuns “quatro ou cinco vezes por semana”, o que geraria diversos impactos em seu metabolismo, incluindo justamente a dificuldade de engravidar. 

“Ironicamente, ela provavelmente jejuava para cumprir votos religiosos na esperança de engravidar”, concluiu Johnson para o The Guardian. 


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